A Controlar, empresa responsável pela inspeção veicular ambiental em São Paulo, é suspeita de vazar dados sigilosos do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), como nomes e endereços de donos de veículos.
A prefeitura abriu em julho uma sindicância interna para averiguar o caso, que consta também da ação do Ministério Público que pediu o cancelamento do contrato. Tanto prefeitura quanto Promotoria ainda não se sabem o que a Controlar fez com os dados. Na sexta-feira (25), a Justiça bloqueou os bens do prefeito Gilberto Kassab (PSD), do secretário Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente), de outros funcionários públicos e de diretores de empresas ligadas à Controlar. Mandou ainda a prefeitura fazer nova licitação em 90 dias. A Controlar tem acesso aos dados do Detran porque o veículo que não passa pela inspeção ambiental obrigatória tem o licenciamento do ano seguinte bloqueado. O Detran disse que não repassa seus dados à Controlar e que essa utilização, se estiver ocorrendo, é indevida. A Controlar estaria tendo acesso aos dados, portanto, de maneira irregular. Promotores dizem ter em mãos um termo que assegura à Controlar acesso aos dados do Detran. Teria sido assinado por um ex-delegado do órgão. O policial, segundo a Promotoria, não tinha competência para a liberação. O Detran informou que o caso será investigado internamente. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira que, se for comprovada a irregularidade, o documento será cancelado. Para evitar que o programa de inspeção seja inviabilizado, o Detran elaborou um novo termo de confidencialidade que prevê que a Controlar tenha acesso apenas às informações necessárias para a realização do serviço. A Controlar não se manifestou.
EVANDRO SPINELLI
Fonte: BOL


