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Bugatti submersa a 73 anos é leiloada por 260 mil euros

                                                             

O lago Maggiore, em Ascona, na Suíça, acaba de perder seu mais ilustre morador: um Bugatti Brescia type 22 1925, veículo que repousava em seu leito a 73 anos. A existência do esportivo era de conhecimento geral entre os moradores da região, especialmente dos membros do clube de mergulho local, o Centro Sport Subaccquei Salvataggio Ascona. Porém, a morte de um de seus integrantes, Damiano Tamagni, fatalmente agredido por três jovens em janeiro de 2008, traria o carro de volta a superfície.

 

                                                       

Após várias pesquisas, descobriu-se que o carro, de chassi número 2461, foi registrado em Nancy, França, por seu primeiro proprietário, Georges Paiva. Porém, no veículo foi encontrada uma pequena placa de registro, datada de 1930, a qual trazia os seguintes dizeres: “George Nielly, 48, Rue Nollet, Paris”. Foi, provavelmente, o segundo dono do Bugatti, mas este teve outros proprietários que, tal como ocorre muitas vezes com os “carros velhos”, simplesmente não fez a devida transferência.

                                 

Estipula-se que, em Ascona, o type 22 tenha sido propriedade de Marco “Max” Schmuklerski, arquiteto nascido em Zurique, com ascendência polaca. Acreditam os responsáveis pelo resgate do Brescia que o arquiteto tenha cursado a Escola de Belas Artes de Paris, lá comprando o veículo, ou tenha adquirido o carro de algum turista francês (Nielly?). Sabe-se, entretanto, que a placa francesa permaneceu, pois o carro nunca foi licenciado na Suíça. Schmuklerski morou na região entre 1933/36, para depois voltar a sua cidade natal. Quando saiu de Ascona, acabou por vender o Bugatti, que ficou guardado no quintal de um construtor civil chamado Barra.

                                 

O seu proprietário, nessa época, é desconhecido, mas os fiscais alfandegários sabiam da existência do carro, de sua localização e queriam cobrar os impostos atrasados. Porém, na ocasião, os valores tributários a pagar excediam em muito o valor comercial do Brescia. Assim, o dono resolveu dar um fim no problema atirando o Bugatti no lago Maggiore. Ao tomarem conhecimento do caso as autoridades tentaram tirar o veículo da água e provar a fraude.     

                                

Mas a sorte estava do lado do devedor: a corrente arrebentou e o Bugatti foi parar a 58 metros de profundidade, ali ficando até 12 de julho de 2009, quando finalmente foi içado do fundo do lago por Jens Boerlin e seus amigos do clube de mergulho. O evento foi assistido pelo Clube Bugatti da Suíça, além de ser devidamente registrado pelo canal de televisão Ticinese. O tempo deteriorou bastante as peças de ferro, especialmente do lado direito (as rodas raiadas desse lado desapareceram). O esquerdo ficou protegido pelo fundo do lago e cerca de 20% das peças originais poderiam ser reaproveitadas.            

                                   

O carro foi a leilão pela Bonhams, sendo arrematado, em janeiro, por um europeu que representava a Peter Mullin Collection, da Califórnia. Posteriormente seus responsáveis informaram que exibiriam o Brescia em seu acervo nas condições em que foi encontrado, dada a dificuldade de sua restauração. O que mais impressiona, entretanto, foi o valor pago pelo veículo: 260.500,00 euros! O importante, entretanto, é que o lucro advindo da venda do Bugatti terá um destino nobre: o dinheiro será usado em ações de caridade, realizadas através da Fundação Damiano Tamagni, que luta para evitar e solucionar casos de violência juvenil.

                                     

 

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