
Em 2011 os argentinos comemoram os 60 anos da conquista do primeiro campeonato de Formula 1 por Juan Manuel Fangio (Balcarce, 24 de junho de 1911 — Buenos Aires, 17 de julho de 1995). Ao longo de sua carreira Fangio correu 51 grandes prêmios, obteve 24 vitórias, 29 pole positions, 23 recordes de volta, cinco títulos mundiais (1951, 1954, 1955, 1956 e 1957) dos quais 4 foram consecutivos, e dois vice-campeonatos (1950 e 1953) em oito temporadas que disputou. Fangio correu em quatro escuderias: Alfa Romeo (1950-1951), Maserati (1953-1954), Mercedes (1954-1955), Ferrari (1956) e Maserati (1957-1958).A Temporada de Fórmula 1 de 1951, primeira vencida por Fangio, foi a segunda realizada pela FIA. Começou no dia 27 de maio e terminou em 28 de outubro, depois de oito Grandes Prêmios. Note-se que que nesta temporada ainda não era disputado o campeonato de construtores.

O argentino, que tinha o apelido "El Chueco" (O Manco, que recebeu em partidas amadoras de futebol, por ter as pernas arqueadas), foi único piloto da história da Formula 1 que foi campeão com 4 escuderias diferentes.Disputou sua primeira corrida aos dezessete anos, guiando um Ford-T, e terminou-a em último. Subiu ao pódio pela primeira vez na Mil Milhas na Argentina em 1939.Seu acidente mais grave aconteceu no GP da Itália, em Monza, no ano de 1952. Ao seguir para a Itália, onde disputaria a prova, fez escala em Paris, mas não pôde continuar a viagem de avião por causa do mau tempo. Fangio não hesitou: pegou um carro e dirigiu aproximadamente 700 km até Monza. No dia seguinte, ainda cansado, bateu o seu Maserati durante uma sessão de treinos e voou para fora do carro. Feriu-se gravemente no pescoço. Ficou 40 dias internado e cinco meses com pescoço e tronco imobilizados. Muitos chegaram a pensar que sua carreira estaria encerrada ali. Ele, no entanto, voltou a competir no ano seguinte.

Fangio cumprimenta Fulgencio Batista
Outro fato curioso envolvendo sua carreira se deu no algumas horas antes da largada do II Grande Premio de Cuba, em 24 de fevereiro de 1958. Fangio, o melhor piloto do mundo, foi sequestrado pelo movimento guerrilheiro "26 de julho", comandado por Fidel Castro a partir de “Sierra Maestra”."Desculpe, Juan, mas vai ter que me seguir." disse o terrorista na noite anterior ao Grande Premio. Foi no saguão do Hotel Lincoln, em Havana, quando o homem interrompeu sua conversa com os mecânicos. Amparado por uma pistola calibre 0,45, ele o obrigou a segui-lo até a rua onde um carro estava esperando. "Eu estava aguardando o guarda tirar sua arma para jogar-me ao chão, como em filmes de ação", lembrou Juan Manuel Fangio mais tarde. Nenhum tiro, Alejandro De Tomaso, um dos corredores, fez um movimento, mas o terrorista disse: "Abrirei fogo se você se mover novamente”. De Tomaso estava muito preocupado com a situação "Eu pensei que aquelas pessoas estavam dispostas a qualquer coisa", diria mais tarde. O terrorista ainda repetiu: "Outro movimento e eu mato!", frente aos movimentos de Stirling Moss, outro grande corredor presente. Marcelo Giambertone, manager de Fangio, lembraria, durante as horas do sequestro, a confiança dele em vencer a corrida e a coragem que mostrou: "... veio o homem da jaqueta de couro, e acho que o menos nervoso de todos foi Juan Manuel. Ele sempre mostrou nervos de aço, até sorriu quando o ameaçaram com uma pistola ...". Com a arma nas costas, foi forçado a sair e embarcar num Plymouth preto, enquanto outros cúmplices, também armados, covardemente cobriam a retirada.

O argentino pilotando a "sua" Alfa Romeo, em 1951
Lhe disseram que se fossem descobertos as balas colocariam em risco a vida de todos, Fangio então pediu um gorro porque achava que poderiam identificá-lo pela "careca", mas não tinham nada, aí se acomodou encolhido no piso do carro. Foi então que se deu conta que o sequestro era real, pois no principio pensava que era uma réplica à uma brincadeira feita com Giambertone. Ele ainda não havia sido libertado quando a corrida foi interrompida por um acidente, o carro do piloto cubano Armando Garcia Cifuentes derrapou numa curva e arremeteu contra os assistentes, resultado: seis pessoas morreram e trinta e duas ficaram feridas! A prova foi interrompida (na quinta volta), tendo sido declarado vencedor Stirling Moss. A prova abria o calendário do campeonato mundial de carros esporte e contava com a presença de pilotos de F-1, o britânico Stirling Moss, que também deveria ter sido sequestrado segundo o plano dos terroristas, Phil Hill, Jo Bonnier, Carroll Shelby, e Maurice Trintignant, entre outros. Fangio correria com uma Maserati 450S e tinha feito o melhor tempo nos treinos, enquanto que Moss pilotaria uma Ferrari. A Maserati 450 S, com que ele correria era propriedade de um americano, e já tinha corrido na Venezuela, e embora no domingo (a corrida foi numa segunda-feira, não me perguntem porque), 23 de fevereiro, Fangio tivesse estabelecido o melhor tempo no treino classificatório, o carro tinha alguns problemas.Até a hora da largada da competição o destino de Fangio era ignorado, porém acabou sendo solto posteriormente.

Enzo Ferrari com Fangio
Ele foi o primeiro piloto do mundo a mostrar que a "Era romântica da Fórmula Um" estava para fechar o ciclo. Isto aconteceu quando decidiu encerrar a carreira em 1958. Numa entrevista alguns anos depois, ele comenta o que o levou a tomar aquela decisão, já que estava no auge de sua carreira: "Eu estava em Reims (1958), treinando para o Grande Prêmio da França, quando senti que o carro estava muito instável, o que me chamou a atenção porque a grande virtude da Maserati 250F era sua estabilidade. Então cheguei ao box e perguntei ao chefe de equipa o que se passava; ele respondeu:- Trocaremos os amortecedores! - Mas por quê?, perguntei. - Porque estes nos pagam! - Assim, naquele momento, tomei a decisão de encerrar a carreira. E não me arrependo disso!" Em julho de 1995, Juan Manuel Fangio morreu vítima de insuficiência crônica renal aos 84 anos. Sua marca de 5 títulos só foi superada 46 anos depois pelo alemão Michael Schumacher com a 6ª conquista em 2003.Porém, Fangio, ao longo de sua carreira, construiu um dos currículos mais invejáveis da categoria: É o campeão com o maior percentual de vitórias: 47,06%; têm o maior percentual de títulos: 62,5%; o maior percentual de poles: 55,7 %; o maior percentual de largadas na primeira fila: 94,1% e o maior percentual de pódios: 68,6%


