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Ergonomia - Dirigindo Corretamente

 

Saiba tudo o que você sempre quis descobrir sobre o tema ergonomia na construção de hot rods e custom cars


Inicialmente esse tipo de preocupação veio com o desenvolvimento de carrocerias que oferecessem um campo visual exemplar ao motorista, ou seja, com janelas e espelhos bem posicionados, além de itens que dessem informações sobre o veículo,

 

daí a criação do velocímetro, conta-giros e demais equipamentos que garantem, até hoje, alguns dados essenciais para a condução.

Junto disso, houve também uma maior preocupação com detalhes como o conforto dos assentos, força aplicada nos pedais, manuseio dos comandos e no espaço interno disponível para as pernas. E ao longo dos anos a ergonomia foi sendo tratada como algo primordial na produção de um automóvel ou meio de transporte qualquer.
Quem é proprietário de carros da década de 20 e 30 tem a real noção da dificuldade de visibilidade ao tentar observar algo pelos minúsculos – e quase inexistentes – vidros traseiros dos carros dessa época e, mais ainda, quando contam com o teto rebaixado. E nesse caso, nem os espelhos retrovisores internos auxiliam na tarefa de captura de informações.
Por essas e outras que a visibilidade é um dos pontos mais importantes na ergonomia, afinal, toda a reação do motorista depende das informações do ambiente em que se trafega. Um segundo ponto, não menos importante, é a facilidade dos movimentos. Os diversos componentes, como chaves, comandos e alavancas que devem ser manipulados com as mãos ou pés, devem ser de fácil acesso e movimento.
O terceiro item é o conforto. E a postura na hora de dirigir pode, e muito, aumentar ou diminuir o prazer na hora de curtir seu carro. Para isso, a altura do volante e a posição dos pedais devem permitir uma postura cômoda.

TEORIA DA PRÁTICA
Para auxiliar na construção do interior de um carro, antes de tudo, deve-se ter todas as medidas antropométricas em mãos. Medidas essas que estarão disponíveis nas próximas edições de Rod & Custom.
A antropometria é o resultado da antropologia física. Sua conceituação surgiu há mais de 200 anos, mas os estudos antropométricos tiveram origem nos séculos VII a V a.C., na Europa, onde os gregos davam total importância à forma corporal e acreditavam que o homem seria a medida-padrão para as demais coisas. Daí a medição de alguns elementos na forma de pés, braça e polegada, utilizados ainda hoje em larga escala nos países de origem ocidental.

CONSTRUINDO UM INTERIOR
Na construção da parte interna de um automóvel, você, leitor, deve tomar cuidado na disposição dos comandos e instrumentos que serão instalados, pois haverá uma constante interação e contato com os comandos de direção do veículo, por exemplo.
Assim, o uso e a combinação desses comandos influenciam diretamente na sua postura e modo de dirigir. Temos que ter em mente que a maioria dos Hot Rods e Custom Cars possuem projetos internacionais, cujo dimensionamento segue principalmente as normas da Society of Automotive Engineers (SAE). Essas normas definem o SRP (Seat Reference Point), ponto de referência do banco, e o SgRP (Seating Reference Point), ponto de referência do indivíduo em relação ao assento.
O maior desafio para nós, da Totty Garage, é proporcionar correção ergonômica na direção do veículo. E a busca de uma melhor interação ao sistema formado entre o condutor e veículo significa a procura da eficiência, eficácia e satisfação do usuário.
Para podermos explicar melhor o funcionamento desse sistema que aparentemente se mostra complexo, dividimos em tópicos para mostrar que você também pode ter um Hot Rod ou Custom Car com uma ótima ergonomia interna para que, assim, você não queira sair dele tão cedo.
No projeto do habitáculo de um veículo, devemos considerar as características de “estar” em um automóvel, ou seja, o espaço livre interior, o conforto dos bancos, a praticidade dos controles, a adaptabilidade do banco do motorista à sua estatura e ao seu estilo de condução, o isolamento interno termoacústico, entre outros.
Quanto à posição do motorista, tanto a Ergonomia como a eficiência podem orientar no projeto do interior do veículo, não só em aspectos antropométricos, como também nos fatores biomecânicos, nos aspectos de percepção de sinais, codificação e respostas eficazes às situações de direção.
As dimensões das pessoas maiores são determinantes em muitos aspectos do espaço interior de veículo, particularmente na definição de larguras e comprimentos dos espaços, consoles e puxadores de porta. As dimensões de pessoas menores não podem ser ignoradas em relação aos alcances e localização do volante, porque um dia você pode vender o carro, e a outra pessoa talvez não tenha uma altura similar a sua.
Formas de entrar e sair, vibração, impactos, cintos de segurança e roupas, isso mesmo, as roupas, podem reduzir a mobilidade dos braços e, conseqüentemente, reduzem a capacidade de alcance. Assim, aconselhamos deixar os comandos de acesso freqüente em locais mais próximos.
Os automóveis modernos têm seus projetos iniciados pelo ponto de referência da articulação do quadril, conhecido por Hip Reference Point (HRP), Seat Reference Point (SRP) ou H-Point, dispondo depois as demais partes do corpo. No caso dos Hot Rods, vamos iniciar o projeto a partir do ponto de referência do acelerador, Accelerator Reference Point (ARP) que se localiza na articulação do tornozelo.
Para a localização dos pés no projeto de seu carro, pode-se utilizar como referência o Pedal Geometry Origin (PGO). O PGO está localizado na linha central (plano sagital) do assento do motorista, indo de fora a fora do posto de direção. Uma postura confortável e relaxada depende dos limites de alcance e espaço livre do volante, dos alcances de pedais, visão, ajustes de assento, distribuição da amplitude de visão e altura dos olhos. O posicionamento dos olhos interfere no dimensionamento do interior de seu carro, devendo ser sempre considerado. Outros fatores que devem ser levados em conta no design interno de um veículo são as áreas de alcance em torno do volante – o  painel de instrumentos e dos painéis laterais para o centro do veículo.

VISIBILIDADE
Uma vez que quase todas as informações chegam ao motorista por meio da visão, a visibilidade é de máxima importância. Mesmo que na maioria das vezes o condutor esteja olhando para frente, ele também deve saber o que está acontecendo ao seu redor (atrás e ao lado). Dessa forma, o retrovisor interno amplia a visão traseira. Por isso aconselhamos a você colocar um retrovisor que seja compatível com a janela traseira visto que de nada adianta ter uma janela traseira pequena com um grande retrovisor ou vice-e-versa.
Também não devemos deixar de informar que existem estilos diferentes de carros e, para isso, existem diferentes tipos de espelhos retrovisores. Já no quesito de segurança e tranqüilidade na condução de seu “xodó”, utilize espelhos retrovisores do lado esquerdo e também no lado direito.
Na área de campo visual encontra-se o campo de visualização de mostradores que são divididos em três níveis diferentes:

 VISÃO ESTÁTICA é onde encontram-se os mostradores de maior importância, ou seja, os objetos alocados nessa área (velocímetro, conta-giros e medidor de combustível) podem ser vistos continuamente, praticamente sem o movimento dos olhos.
É recomendado que esses instrumentos fiquem na faixa abaixo da linha horizontal de visão, em até 30% e para os lados, com abertura lateral de 30°. Esse cone, com 30° de abertura, é conhecido como área ótima de visão. Caso seu carro tenha um painel de instrumentos muito baixo, tente reposicionar os instrumentos da parte de trás do volante para uma área mais central, que irá diminuir o ângulo dentro do limite ideal.
 
 MOVIMENTO DOS OLHOS, onde se localizam os mostradores de média importância. É a visão que se consegue movimentando somente os olhos, sem o movimento da cabeça. Situa-se até 25˚ acima da linha horizontal de visão e 35˚ abaixo da mesma e lateralmente fazendo uma abertura de 25˚ maior de cada lado além da visão ótima.

 MOVIMENTO DA CABEÇA, em que são observados os mostradores de uso eventual. É a visão que se consegue atingir com o movimento da cabeça. A cabeça consegue girar até 55˚ para a direita ou esquerda e inclinar-se até 40˚ para frente e 50˚ para trás. Aqui podem ficar localizados os comandos de ajuste do encosto, fivela dos cintos de segurança, porta-objetos e muitos outros.


POSTURA SENTADA
A posição sentada exige atividade muscular do dorso, possibilitando que braços e pés fiquem liberados para a condução do veículo, permitindo, assim, grande mobilidade desses membros.
Praticamente todo o peso do corpo é distribuído para a pele que cobre o osso ísqueo, nas nádegas, conseqüentemente, a posição sentada tem um ponto de referência relativamente fixo no assento. Para isso, o assento deve permitir mudanças freqüentes de postura, retardando o aparecimento da fadiga e permitindo que você aproveite ainda mais seu carro. O projeto inadequado de assentos obriga o condutor a adotar posturas erradas e cansativas que, mantidas por um longo tempo, provocam fortes dores localizadas.
As dores localizadas no corpo provocadas por posturas inadequadas são:

 SENTADO COM O ENCOSTO MUITO INCLINADO: terá dores nos músculos extensores do dorso.

 COM O ASSENTO MUITO ALTO: terá dores nas partes inferiores das pernas, joelhos e pés.

 O ASSENTO ESTIVER MUITO BAIXO: você sentirá dores no dorso e pescoço.

 BRAÇOS ESTICADOS:  durante o ajuste do assento em relação à distância dos pedais e volante, evite distâncias, você corre o risco de ficar com dores nos ombros e braços.

 EMPUNHADURAS INADEQUADAS: fortes
dores nos antebraços.


 Por Lucio Oliveira  Fotos Marcello Garcia  Ilustrações Luiz Pellegrini

 

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