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Big Block V8 - Briga de Gigantes

 

               
Ícones incontestáveis, os motores big block ainda fazem história com suas peculiaridades e semelhanças, todas elas cheias de veneno

Criados como o meio mais eficiente de proporcionar elevados níveis de alto desempenho automotivo, os motores big block viraram uma palavra obrigatória no vocabulário dos muscle cars e no universo automotivo. Um big block (ou bloco grande, em português) obviamente conta com grandes litragens, em média seis litros ou então, dotados de 360 polegadas cúbicas. Mas há casos exclusivos, como o Cadillac Eldorado, que chegou a ter um propulsor de incríveis 8.2 litros!

       

Essas mecânicas poderosas começaram a ser construídas em meados da década de 1950, e como um motor desses necessitava de um bom espaço dentro do capô para sua instalação, seu auge de popularidade coincidiu justamente com a verdadeira febre dos muscle cars nas décadas de 1960 e 70.
As provas da Nascar na época também foram fundamentais para promover o grande impulso de popularização dos big blocks em virtude da exigência da categoria de que um certo número de carros equipado com os motores de corrida, também fosse oferecido ao público comum. E como o regulamento da Nascar permitia propulsores de até sete litros, modelos como o 427 da Chevrolet e Ford e 426 Hemi, ficaram bastante conhecidos.
“Realmente é um universo muito amplo e apaixonante. Todos os motores tiveram seus pontos fortes e fracos. Eu, com certeza, usaria qualquer um dos motores que serão citados nessa reportagem em meus carros”, afirma Luciano Miozzo, proprietário da Garage 34, empresa especializada em motores V8, em São Paulo (SP).

FORTES DESDE O BERÇO
Os big blocks Chevrolet, contam com duas gerações distintas: a que ficou conhecida como ‘W’, produzida originalmente de 1958 até 1965 e outra  com três diferentes modelos genéricos lançados: o 348 (1958 até 1961), o 409 (1961 até 1965) e o 427, disponível inicialmente em 1963. 
“A principal característica desses motores é o fato da câmara de combustão estar situada na cabeça do pistão e não nos cabeçotes. Por esse motivo, apesar do enorme torque, eles dificilmente ultrapassavam as 5.500 rpm. Assim, a Chevrolet se empenhou ao máximo para lançar os modelos seguintes”, diz Carlos Alberto Rosa, especialista em mecânica da equipe Garage 34.

       
A segunda geração a que Rosa se referiu ficou conhecida como “Mark IV Series” e contou basicamente com modelos aperfeiçoados da geração anterior, com um novo posicionamento das válvulas e estilo das câmaras de combustão. Assim, o primeiro a ser lançado foi o 396 Turbo Jet V8, em 1965.
“Anos depois foi lançado o versátil 427, produzido de 1966 até 1969, e que tinha uma grande variedade de versões, buscando explorar substancialmente seu design com cabeçote fabricado em alumínio. Esse propulsor foi utilizado com sucesso nas provas da Nascar durante a década de 1960, equipando os Chevy Impala. Em 1970, também foram lançados o 402 e o 454”, explica Rosa.

     

CAVALOS E MAIS CAVALOS
A Ford, por sua vez, começou sua saga dos big blocks em 1954. Conhecidos pela sigla Y-8 (modelo 239), esse motores rapidamente evoluíram e foram substituídos no ano seguinte pelos conhecidos 272 e 292.
O tempo passou e os modelos Y-8 deram lugar a uma nova linha de motores, denominada FE (Ford Engines), em 1958, que continha os modelos 332 e 352. Os propulsores FE equiparam grande parte dos carros de portes médio e grande e, como não poderia deixar de ser, os veículos de alta performance da marca, casos do Ford Mustang 1967 até 1970, Fairlaine, Galaxie e Thunderbird, ambos dessa mesma época.
A primeira geração dos motores Ford FE com blocos em formato de “Y”, era composta pelo 332, conhecido como o menor entre os big blocks da marca, o 352, famoso por um excelente torque e durabilidade, o 361, que equipava algumas viaturas policiais norte-americanas e o 390, um dos destaques da época devido a sua alta litragem (6.4 litros) e potência.
Anos depois, a Ford lançava a segunda linhagem de seus poderosos motores, tendo como destaque o 406, construído exclusivamente para corridas e tido como uma peça-chave para a continuação da produção de motores de grande porte. Na época, havia também o 410 (usado apenas no Mercury 1966 e 67, com 6.2 litros), além do 427 e do 428, dois motores sete litros que apostavam em sua excelente versatilidade de rendimento para qualquer tipo de corrida, fosse ela Stock Car, Dragter ou provas de rua.
Os modelos 429, 429 Boss (feito para o Mustang com a mesma sigla) e 460, tinham como características principais às válvulas inclinadas, semelhantes às dos cabeçotes dos motores big block Chevrolet Mark IV. O 429 Boss, por sua vez, ainda utilizava cabeçotes de câmera hemisférica fundidas em alumínio, semelhantes as que equipavam os motores Hemi da Chrysler.

ESFERAS DE FORÇA
Falando em motor Hemi, esse, sem dúvida, será sempre lembrado como um ícone, inclusive por entusiastas de outras bandeiras, devido ao estilo do desenho de sua câmara de combustão semi-elíptica, acrescido da velocidade dos gases e posicionamento das velas. Combinação que proporcionava uma queima do combustível extremamente produtiva e homogênea, além de uma performance única.
Os primeiros Hemi destinados a veículos de passeio foram lançados em 1951. Conhecidos como Fire-Power 331, eles saíram de fábrica com taxas de compressão baixas (7,5:1) e rendiam apenas 180 cv, aumentando para 250 cv em 1955. Quando a famosa linha 300C da Chrysler foi lançada em 1955, houve uma série especial desse mesmo motor, oferecendo 300 cv.
Em 1956 foi lançado o Chrysler 300B, um carro equipado com o mesmo Hemi, mas com 354 cilindradas e que gerava 340 cv. No ano seguinte, o Hemi expandiu para 392 cilindradas, garantindo 390 cv. Esse motor, inclusive, foi o escolhido para equipar o Chrysler 300C, conhecido como o “avô dos muscle cars”.
Muito utilizado nas primeiras provas de Dragsters profissionais, esse modelo elevou os Hemi a um patamar quase incontestável como sinônimo de força e potência, devido a sua robustez construtiva, inclusive quando comprimidos com blowers.
“Ainda assim, a engenharia Mopar (uma das subdivisões da Chrysler) já trabalhava em um desenho mais eficiente de motores. Em 1964, foi lançada a segunda geração dos Hemi, com o 426, que já teve sua taxa de compressão incrementada para 10,25:1 na versão Street e 12,0:1 na versão Race. Esse motor era entregue com 425 cv, mas estimava-se que chegava aos 700 com relativa facilidade”, diz o empresário paulista Fernando Vidal, entusiasta do mais famoso propulsor da Chrysler e proprietário de um raro 300C 1957.
O último ano do Hemi em um carro de passeio foi em 1972, justamente quando as crises sucessivas do petróleo, aliadas aos controles mundiais mais rígidos de emissão de poluentes, começavam a desenhar a extinção dos motores de grande cilindrada e potência, dando início ao fim de sua fase áurea.
Atualmente, a aplicação urbana dos big blocks prevalece em alguns caminhões e picapes. Oficialmente, apenas a Chevrolet oferece os ‘blocos grandes’ em determinados modelos de seus caminhões de linha. Recentemente, a criação do Ford Mustang, Dodge Charger e o cada vez mais próximo Dodge Challenger, mostrou que os motores big block, estão voltando a ativa, no entanto, menos poluentes como é o caso do propulsor HEMI 5.7 litros do novo 300C, contando com o sistema MDS (Multi Displacement System), que corta quatro cilindros do motor, quando o carro atinge uma velocidade constante.
Será que veremos uma nova era dos lendários V8 Big Block? Ao que tudo indica, é só esperar e juntar dinheiro para comprar um bom exemplar.  

Por Fernando Capelli Fotos Divulgação

 

 

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