Recorde de público e carros expostos no 13º Encontro Paulista de Autos Antigos mostra que os hot rods, cada vez mais, ganham seu espaço entre os clássicos

A 13ª edição do Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia reuniu, este ano, cerca de 640 automóveis na tradicional praça Adhemar de Barros entre os dias 18 e 21 de abril.Nem a chuva que insistiu em cair durante as tardes foi capaz de atrapalhar a festa.Segundo dados da Secretaria de Turismo da cidade, cerca de 250 mil pessoas circularam no local do evento.
Organizado pela Sociedade Feminina de Autos Antigos, com o apoio da FBVA – Federação Brasileira de Veículos Antigos, o encontro, considerado o maior do Brasil, é também o que tem a maior concentração de clubes de automóveis das mais variadas marcas.
Quem passou por lá pôde apreciar os inesquecíveis VW Fusca e Kombi, clássicos de época como o Cadillac, Opala, Mustang, Maverick, Dodge e, claro, diversos Hot Rods, além de muitos outros modelos que fizeram a alegria do público.
SUPRA-SUMO
O caminhão de bombeiros Seagrave, totalmente original, fabricado em 1920, foi um dos grandes destaques da festa. Adquirido em um leilão realizado nos Estados Unidos há cerca de 5 anos, o veículo é considerado uma verdadeira relíquia e pertence a um colecionador de São Paulo. Apesar de ter sido o único modelo desse tipo na exposição, ele teve fortes concorrentes na disputa de olhares dos visitantes.
E um Cadillac Coupé de Ville 1961 foi um deles. Equipado com motor V8 390, design marcante e uma tonalidade azul marinho metálico de forte impacto, o veículo não passou despercebido no encontro e atraiu muitos flashes.
“Esse carro demorou cerca de três anos para ser restaurado e suas peças são todas originais de fábrica. Essa foi minha primeira participação como expositor e acredito que voltarei mais vezes para mostrar meu carro”, comenta Dirlei Roma, proprietário do lendário Caddilac.
Para aquecer ainda mais a festa, a maioria dos veículos concorreu a uma premiação reservada para os melhores de cada categoria. Devidamente separados por época, a disputa entre os carros deixou os participantes eufóricos.
O catarinense Renato Magrin foi um dos felizardos. Seu Ford Fairlane 500, fabricado em 1958, levou o prêmio na categoria “Importados”. Vindo dos Estados Unidos, o veículo, segundo Magrin, é um dos pouquíssimos exemplares do modelo em circulação no país atualmente.
O carro passou por um longo período de restauração. Ao todo foram dez anos de muito trabalho. O motor V8 272, assim como os demais componentes do Fairlane, possui os mesmos padrões americanos. Tanta dedicação proporcionou a esse clássico o mesmo aspecto de um veículo zero quilômetro.
Já para os apaixonados por Opala, temos de comentar sobre um belo exemplar 1970 exposto no local. Ele pode até não ter levado a premiação máxima na categoria “Originais”, mas nem por isso pode ser desmerecido.

Carlos Pimentel, proprietário do Opala vermelho com teto de vinil preto, trata o sedan Chevrolet como se fosse um membro da família. O clássico que só sai da garagem para se apresentar em exposições está com apenas 40.000km originais.
“O veículo nunca precisou ser restaurado ou reformado. Seu motor de seis cilindros em linha de 3800 c³ ainda possui a mesma qualidade dos tempos áureos e arranca suspiros da platéia. Quem sabe no próximo ano ele não se torne um dos grandes campeões do evento?”, visualiza Pimentel.
Fabiano Tourinho Rominato foi outro participante que também contribuiu para o sucesso da exposição. Arquiteto e designer de carros antigos, Rominato levou para Lindóia seu mais recente projeto: um Chevrolet Fleetmaster 1948. Por não estar totalmente concluído, o carro não participou da premiação. Mesmo assim, despertou muita curiosidade de quem esteve por lá.
“Sempre fui um apaixonado por esse tipo de carro e fui eu mesmo quem desenvolveu boa parte da restauração do automóvel. Acho que meu objetivo foi alcançado”, comenta Rominato.
O Hot exibido por ele contém detalhes especiais, a começar pela tonalidade branco e laranja, nada discreta. Portas alisadas, rodas alargadas em duas polegadas na traseira e uma na dianteira para comportar os pneus 205/50 R16, além do motor seis cilindros originais e suspensão a ar na dianteira são apenas alguns de seus atrativos.
Ainda tímido Rominato preferiu levar o Fleetmaster para Lindóia em cima de uma plataforma. Porém, na volta, as coisas foram diferentes. O proprietário não resistiu e colocou o Hot para sentir o asfalto. “Foi maravilhoso”, diz Rominato que já é presença garantida no evento de 2009.
ALGO MAIS
Além dos carros, o tradicional mercado de pulgas movimentou o lugar com cerca de 250 estandes. A circulação de pessoas interessadas em adquirir peças automotivas variadas foi imensa.
Outro atrativo do encontro foi o espaço reservado para a venda de veículos antigos. Ao todo foram levados 240 carros para serem comercializados.
Ao final desses quatro dias, de muito movimento, ficou claro que o Encontro Paulista de Autos Antigos de 2008 foi um sucesso. A energia do público demonstrou que o gosto por automóveis, principalmente os das décadas passadas, é algo que se perpetua. Por esse motivo, é uma confraternização que com certeza ainda terá muita história para contar.
Por Cláudia Cardinale Fotos Marcello Garcia


