Itu recebe a maior reunião de Mustangs da América do Sul
Graças a Simplício, famoso personagem do programa humorístico A Praça é Nossa, vivido por Francisco Flaviano de Almeida, Itu (SP) se transformou em uma localidade famosa pelo exagero. Chiclete, pente, lápis, dinheiro, cotonete,
óculos, chupeta ou martelo – tudo é superdimensionado na simpática cidadezinha. Assim, quando foi noticiada a realização do 4º Encontro Nacional de Mustangs em Itu, logo percebemos que algo grandioso estava por acontecer.
O evento ocorreu no último dia 17 de agosto, no Plaza Shopping Itu, reunindo 118 modelos do Ford esportivo. A festa teve início com uma carreata pela Rodovia dos Bandeirantes e logo despertou a atenção de todos os que passavam pela estrada. Quando os carros chegaram à cidade, o espaço reservado para a exposição se mostrou pequeno para abrigar o público, sedento por conferir todos os detalhes daquele que é considerado um dos maiores sucessos da indústria automobilística mundial.
A idéia de reunir o maior número de apaixonados pelo Mustang, independente de serem sócios ou não do clube, foi o que motivou a realização do evento, cujo número de participantes aumenta a cada ano. Nem mesmo a distância foi capaz de impedir o sucesso do encontro. Apenas para citar um exemplo, cerca de vinte integrantes do Clube do Mustang de Curitiba rodaram por mais de 400 km para chegar a Itu, mas isso não foi propriamente um martírio. Afinal, eles estavam a bordo de modelos como os GTs Fastback 1966 e o conversível 1967, além de um Mach One 1973. Este último é o mesmo modelo utilizado na versão original do filme 60 Segundos que, estrelado por Toby Halicki, fez enorme sucesso na década de 1970.
A exposição contou ainda com a presença de associados vindos de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e vários outros estados. Felizmente o sol ajudou a abrilhantar o evento que, segundo Valmir Carajeleascow, presidente do Clube do Mustang do Estado de São Paulo, caracterizou-se como “a maior reunião de Mustangs da América do Sul”.
A confraternização teve ainda a presença da banda Jack Jeans, composta pelos músicos cariocas Wanice Ferry e Leandro Martins. Além das composições próprias, a banda apresentou um repertório recheado de diversos clássicos, nacionais e internacionais, do rock’n roll dos anos 50 e 60. O ritmo empolgante das canções contagiou o local e complementou o clima nostálgico que se instalou por lá.
Nada mais adequado, pois Mustang e rock são dois sinônimos da cultura americana. Afinal, assim como o gênero musical, o carro fez sucesso no mundo inteiro e, nas últimas décadas, conquistou uma verdadeira legião de admiradores, comprovando o acerto de Lee Iacocca ao possibilitar o surgimento, em 1964, do cavalo selvagem da Ford. Desenho agressivo e preço acessível fizeram do carro um campeão de vendas, tanto assim que 418 mil unidades foram comercializadas no primeiro ano de produção. A proeza, difícil de ser superada, rendeu grande lucro e elevado prestígio à Ford.
A potência dos motores foi outro fato que contribuiu para que o Mustang ganhasse tantos admiradores. Variando entre 101 e 210 cavalos, o esportivo tornou-se o sonho de consumo de muita gente. Disposta a manter tal êxito, a montadora sempre soube promover o carro, sendo exemplo disso o GT 350, desenvolvido em parceria com o lendário Caroll Shelby. Outro modelo de grande repercussão foi o Shelby GT 500, equipado com um motor big block de 428 polegadas. Com dois carburadores Holley quadrijet, o veículo gerava 355 cavalos brutos de potência, sendo um dos grandes muscle cars de sua época.
Com o passar do tempo, o Mustang foi crescendo cada vez mais, tendência que só foi revertida devido à crise do petróleo, em 1973. No ano seguinte o Mustang II, cuja maior novidade foi o motor de 4 cilindros que, em 1975, também passou a equipar o Maverick brasileiro. Em 1979 apareceu a terceira geração do veículo, a qual, igualmente racional, lembrava em estilo os nossos Corcel II e Del Rey. Mas o Mustang reencontrou seu caminho com a nova carroceria surgida em 1998 e que durou até 2004.
Na atualidade o modelo, já em sua quinta geração, é um esportivo claramente inspirado nos fastback da década de 1960, razão pela qual vem obtendo grande sucesso. Esse êxito provou que o famoso cavalo selvagem ainda tem muita estrada pela frente, para a alegria de seus entusiastas. Os projetos do Clube do Mustang de São Paulo são a maior prova disso: “Nossa principal expectativa para o próximo ano é aumentar o número de participantes”, explicou Valmir em meio aos belos carros expostos em Itu. Nada mais adequado diante da grandiosidade do Ford Mustang.
Por Cláudia Cardinale Fotos Marcello Garcia


