
Velocidade, nostalgia e paixão, tudo isso você encontra em um só lugar: o deserto de Bonneville, o local sagrado dos rodders, no qual velocidade é a palavra chave
Ahhh, a volta pra casa – como acontece quase todo ano desde 1949 nas planícies salgadas de Bonneville, onde os corredores com poucos equipamentos e poucas coisas em mente se reúnem com um único objetivo: ultrapassar os limites de seus próprios carros.
A Semana da Velocidade resgata universalmente o acordo puro dos Hot Rodders de torcer e desvirtuar, um lugar onde a tradição é segura e onde a corrida realmente não mudou muito nesses 57 anos. Mas, para dizer a verdade, sempre há uma mudança sutilmente e cuidadosamente planejada.
No último ano, por exemplo, uma multidão do tamanho que nunca se havia visto na Semana da Velocidade foi a Bonneville em parte, também, devido ao filme Desafiando Limites, lançado em 2007, em que se mostram provas de velocidade nas planícies salgadas. Este ano também marcou um recorde histórico de corredores, com nada menos que 500 pré-inscrições. Contudo, apenas 433 corajosos realmente apareceram – somadas as equipes de voluntários, mais de 2.000 pessoas foram credenciadas.

Além da multidão, uma das características do evento são as constantes mudanças que afetam o objetivo dos competidores. Atentos a tudo o que acontece no universo motor, eles devoram o livro dos recordes atrás de alterações de regulamento ou mesmo novas categorias para que possam reivindicar recordes. O evento de 2006, por exemplo, marcou a primeira corrida de Bonneville para a categoria dos clássicos motores Flathead 4, em que foram reconhecidos como recordistas na categoria de “Construção Clássica e Especial” (em El Mirage, eles somente são reconhecidos para Roadsters, sem o recurso sobre alimentação de qualquer modelo desde 2004).
INOVAÇÕES
Entre motores aspirados ou sobre-alimentados, em várias carrocerias, podemos dizer que a criação de uma nova categoria dos clássicos Flathead quatro cilindros, ou “V4F”, abriu mais 33 possibilidades de recordes. E somente quatro delas foram registradas.

Da mesma maneira, esse foi o segundo ano do retorno da histórica categoria dos “Roadsters Modificados com Motor Traseiro”, mas, como no último ano, o evento teve de ser suspenso por causa da chuva.
Ainda não existe nenhum recorde registrado para as 60 subcategorias dessa classe.
Bonneville também foi afetada pelas novas tendências das montadoras. Possivelmente o primeiro exemplo se iniciou em 1968, com a AMC Javelin, e mais recentemente pelo ataque dos últimos anos da divisão de Performance da General Motors, chamada de Ecotech. Mas, em 2006, uma nova tecnologia se revelava com a invasão dos motores movidos a óleo diesel, liderada por um construtor e fabricante de equipamentos inglês com seu carro Streamliner Dieselmax, uma das sensações do evento.

Não importa o equipamento, Bonneville fica caracterizada por toda a realização pessoal e o respeito a seus competidores, levando seus equipamentos ao limite, não interessando quanto amador ou profissional é ou se você está competindo nas categorias mais rápidas. O que realmente importa é ter a oportunidade de correr até onde o seu equipamento possa levá-lo.
No último ano, todo o empenho foi recompensado com 154 novos recordes e 27 bonés vermelhos (uma espécie de uniforme que distingue os grupos) foram passados a novos membros do Clube dos 320 km/h. Por fim, quatro bonés azuis foram entregues aos novos integrantes do Clube dos 480 km/h.
Quem compareceu a esta edição do evento, teve o prazer de tirar vantagem da mais espetacular condição de superfície que já se viu. O resultado: sucesso tanto no registro mais rápido da semana, com 656 km/h, obtido pelo Streamliner a diesel, até o recorde mais lento de todos os tempos ,com 54.78 km/h, de Jason Arana em sua moto de 50cc. E o melhor de tudo é que ninguém sofreu nenhum tipo de acidente fatal, apesar de terem acontecido três capotagens acima dos 384 km/h.
A grande verdade é que muitos acreditaram que essa foi a melhor Semana de Velocidade dos últimos tempos em Bonneville.
Texto e Fotos David Freiburger


