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Voyage - Bom de Briga

Desenvolvido para fazer frente à concorrência, o Voyage cumpriu muito bem o seu papel e garantiu um posto de destaque na história automotiva

Concorrência. Essa é a palavra que move o mundo automotivo e faz com que as montadoras trabalhem constantemente em busca de novidades.Manter-se no topo da preferência dos consumidores não é uma tarefa fácil. Tecnologias avançadas ajudam, linhas 

futuristas também, porém o carisma é fundamental. E assim é a história do Voyage. Desenvolvido pela Volkswagen, o sedan foi lançado em agosto de 1981 para fazer frente ao Chevette, o grande destaque da General Motors naquela época.
Projetado sobre a mesma plataforma do Volkswagen Gol, o veículo recebeu uma suspensão melhorada, proporcionando conforto aos seus ocupantes. Equipado com motor de 1,5 litros, arrefecido a água, movido a gasolina ou álcool e equipado com câmbio de quatro marchas, o Voyage, aos poucos, conquistou o público. 
Diante disso, não demorou muito até que a montadora apostasse todas as fichas em seu mais recente modelo. Assim, em 1983, as grandes novidades foram o motor de 1,6 litros e a opção de duas ou quatro portas.

PERFORMANCE LENDÁRIA
Em 1985 surgiu uma nova geração de motores, que ficou conhecida como AP (Alta Performance). Essa novidade equipou o Voyage top de linha, versão Super, com o motor de 1,8 litros. O resultado não poderia ser outro: desempenho elevado e consumidores enaltecidos.
Mudanças de design marcaram o ano de 1986. Novos logotipos, pára-choques dianteiros e traseiros mais envolventes, faróis, grades e lanternas diferenciados e câmbio de cinco marchas como item de série, foram as principais características do modelo.
Para o ano seguinte, o painel de instrumentos se apresentou injetado e espumado. O local ainda recebeu detalhes do Santana e o console foi redesenhado. Por fim, vidros e travas receberam tecnologia elétrica.
Disposta a fazer do Voyage um veículo conhecido em outros continentes, a montadora resolveu exportá-lo. O trabalho foi árduo, mas, antes de tomar essa decisão, a Volkswagen, durante muito tempo, testou o modelo fora do Brasil. Cautelosa, a montadora precisava ter certeza de que sua idéia seria bem recebida em outros países.
Pesquisas também fizeram parte dessa trajetória, e para ser aceito no mercado americano, por exemplo, o carro sofreu 2.000 alterações, entre elas o uso do nome FOX em vez de Voyage e a inclusão da injeção eletrônica.

ÍCONE ESPORTIVO
Aqui no Brasil, um dos grandes sucessos de vendas surgiu em 1993: o Voyage Sport 1.8 S, à época uma série especial que permaneceu na linha de produção até 1994.
Desenvolvido na cor lisa “Preto Universal”, na metálica “Prata Lunar” e algum tempo depois na tonalidade cinza, o carro contava com uma grande variedade de equipamentos modernos, além, é claro, de um forte apelo esportivo.
Pára-choques envolventes, grade dianteira cinza com logotipo VW em prata, faróis de neblina integrados ao pára-choque dianteiro, bancos Recaro com apoio de cabeça vazado, rodas esportivas, volante de direção esportivo, comandos elétricos nos vidros, bem como nos retrovisores externos, brake-light, desembaçador traseiro e vidros verdes com pára-brisa degradé foram apenas alguns dos itens que o integravam.  
A performance era boa para os padrões da época, e o Voyage Sport atendia os anseios de seu público fiel fazendo de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos. Sua velocidade máxima era de 171 km/h, uma evolução bastante considerável quando comparada às versões lançadas anteriormente, que ficavam em torno de 160 km/h. 
Sua curta trajetória não foi motivo para retirar-lhe o posto de um dos grandes ícones dos anos 90. O Voyage Sport ano 1994, atualmente considerado uma raridade, que estampa esta matéria pertence a Fabiano Mellonari, um jovem de 31 anos morador da cidade de Campinas, interior de São Paulo.
O proprietário conta que desde criança sempre foi apaixonado por carros, principalmente os de séries especiais. Por suas mãos já passaram vários modelos, entre eles duas Saveiros Sunset, carro irmão famoso do Voyage e que, assim como ele, obteve grande receptividade no mercado.
Para Mellonari, o Voyage é fantástico, robusto, ágil e muito confortável. Adquirido há aproximadamente um ano, encontra-se em perfeito estado de conservação e ainda hoje desperta muita atenção por onde passa. Exceto as maçanetas externas, que foram substituídas pelas do Santana de última geração para satisfazer um gosto pessoal do proprietário, todo o resto é original de fábrica.
Gostou do carro? Admira essa série especial? Quer comprá-lo? Então não perca tempo. Por incrível que pareça o esportivo está à venda. Isso mesmo, o proprietário quer investir mais capital em um comércio que ele tem e por esse motivo resolveu abrir mão da companhia do Voyage.
Segundo a montadora, de 1981 até 1996, quando o Voyage deixou as linhas de montagem, as vendas internas no atacado em geral chegaram a 465.176 unidades. Você pode até achar pouco, porém não é qualquer carro que consegue driblar a concorrência e entrar para a história automotiva com tanta popularidade.  

Texto Claudia Cardinale
Fotos Marcello Garcia

 

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