A memória de alguns ícones da marca Volkswagen movidos com motores a ar
Tudo começou há cerca de quatro anos na cidade de São João da Boa vista, interior de São Paulo. O princípio básico seria preservar a memória e a importância da plataforma Volkswagen com arrefecimento a ar, sistema que conquistou uma grande fatia de
mercado na história automobilística brasileira.Exatamente nesse contexto, os empresários (e irmãos) Álvaro e Ailton Ambroso, ao lado do cunhado Olinto e do primo Luis Fernando, começaram a reunir as peças fundamentais, que hoje integram o grupo batizado por eles de Vip Collection.
“É inegável a importância desses modelos a ar. A história nos diz isso. No começo, tudo era destinado e focado para o transporte militar. Depois, passou para o mercado civil, e a popularidade não parou mais de crescer. Hoje em dia, não conheço uma pessoa que passe por um carro desses e não sorria ou se emocione ao lembrar que o pai teve um ou então que aprendeu a dirigir em um deles. É um carisma inabalável”, afirma Luiz Fernando. “O objetivo aqui é aumentar cada vez mais as opções, para daqui a 20 ou 30 anos as pessoas interessadas em carros desse tipo possam ainda se encantar com algo tão histórico e importante”, completa.
Como não poderia ser diferente, o clima nostálgico - e ao mesmo tempo popular -, é um fator vigente entre os carros. Há uma atenção especial para diversas vertentes do Fusca, um dos modelos fundamentais com refrigeração a ar. A lista inclui um 1960, 1962, 1965 (com teto solar de fábrica e rádio da época), 1969 (Zé do Caixão), 1986, 1995, 1996 (Série Ouro), 2004 (mexicano, com apenas 30 km rodados) e até mesmo um 1975 (americano).
Entre os outros modelos há um Karmann Ghia 1969, um MP Lafer 1979, um Puma 1980 (o carro que deu origem à coleção), um SP2 (todo original, com interior na tonalidade conhaque), uma Variant 1970, um TL 1971, uma Kombi 1967 e, por fim, uma Brasília 1981.
Desses, as peculiaridades mais raras, de acordo com Luis Fernando, estão nos Fuscas 1960 e 1962. O primeiro foi comprado de maneira inesperada por Ailton, que estava na estrada e viu o carro sendo dirigido por um senhor. Ele imediatamente perguntou se havia possibilidade de venda e o negócio foi firmado no próprio acostamento da estrada. Na época, o que mais chamou a atenção do colecionador era o fato de que o carro ainda conservava as “bananinhas” (pisca-pisca nas colunas) originais em perfeito funcionamento.
Já o 1962 é azul monocromático, modelo raro por apresentar estribos, rodas, suportes e pára-choques na cor do veículo. O interior do carro conserva-se original de fábrica, além de contar com um dispositivo anti-furto de época (um segundo miolo de chave que aciona uma buzina caso a ignição seja acionada, além de travar a direção).
A maior parte dos carros fica guardada em um galpão na própria cidade de São João da Boa Vista (SP), onde, todo final de semana, os membros do seleto clube se reúnem para conversar, lustrar e, se tiver um tempo propício, passear com eles. A outra parte fica em uma fazenda, em Valinhos (SP).
A manutenção dos carros é feita por uma série de profissionais da região, em conjunto com os próprios membros do grupo. Quando são adquiridos, os carros são completamente desmontados e restaurados peça por peça. Depois, a primeira limpeza de carburador e os acertos nos freios são realizados por eles mesmos.
“A funcionalidade é sempre prioridade. De nada adianta ter uma série de carros dessas e não rodar com nenhum deles. Costumamos ir com os carros para Campinas, que fica aproximadamente a 120 km daqui, e também procuramos participar do encontro anual de Águas de Lindóia. Além disso, sempre damos uma voltinha aqui pela cidade, mesmo. É um grande prazer pra nós e também para quem vê os carros nas ruas”, diz Luis Fernando.
Depois de tanto esmero com os carros, Luis Fernando também comentou algumas situações inusitadas. “Na verdade, já houve até acidente na porta do galpão, causado pelo pessoal que passa na avenida e diminui a velocidade para ver os carros aqui dentro. Quem vem atrás, muitas vezes, tem de frear bruscamente. Mas nunca teve nada de muito grave”, sentencia.
Texto Fernando Cappelli Fotos Marcello garcia


