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The Choppers

Some um T-bucket chamativo com uma história sobre delinqüentes juvenis e um roqueiro candidato a ídolo da juventude: o resultado poderá ser o filme com “The Choppers”.


Texto: Rogério Ferraresi
Fotos: Arquivo
Matéria originariamente publicada na revista Rod & Custom 18. Complete a sua coleção: www.lojastreetcustoms.com.br

 

O movimento hot rodder, entre as décadas de 50 e 60, foi um bom argumento para os estúdios de cinema realizarem inocentes produções sobre a delinqüência juvenil, assunto que sempre rendeu boas bilheterias. Exemplo disso foi “The Choppers”, filme rodado em 1959 e finalizado dois anos depois que, dirigido por Leigh Jason para a Rushmore Production e Fairway-International, lançou Arch Hall Jr ao estrelato.

Nascido em 1943, em Van Nuys, Califórnia, o ator fazia o papel do playboy adolescente Jack “Cruiser” Bryan, o qual comandava a gang adolescente, especializada no roubo de peças de carros, composta por Torch Lester (Robert Paget), Tom Hart (Tom Brown), Tony “The Snopper” Panilli (Burr Middledton) e Flip Johnson (Rex Holman). Também faziam parte do elenco Bruno VeSota (o dono de desmanche e receptador de mercadoria roubadas  “Big” Moose McGill) e Marianne Gaba, playmate da revista Playboy de setembro de 1959.  


O pai de Arch Hall Jr, um cowboy de Dakota do Sul, trabalhou como ator em Hollywood na década de 30. Depois, serviu a aeronáutica na II Guerra Mundial e, quando voltou, empregou-se na Davis Motor Car, que iria fabricar um revolucionário carro de três rodas. Mas o negócio não deu certo, Gary Davis chegou a ser preso e Arch Hall Sr abriu uma empresa de transportes. Porém, ele não desistiu da vida artística, razão pela qual produziu e escreveu o roteiro de “The Choppers” para o filho. No filme Arch Hall Jr teve a oportunidade de provar que era um grande cantor, interpretando “Up the Creek”, “Monkey in My Hatband", "Konga Joe" (as duas últimas de letra e música próprias). 

A idéia em “The Choppers” era criar um novo ídolo popular (ainda que um anti herói), como já havia sido tentado com John Ashley, Charles Courtney e Steve Terrell. Assim, para que a história convencesse o público teenager, fazendo de “The Choppers” uma jóia da delinquência juvenil, foi dado a Jack “Cruiser” Bryan um hot emblemático, o T-bucket construído por Tommy Ivo. Este rodder, nascido em 1936 em Denver, Colorado, tornou-se famoso tanto por atuar em filmes quanto por suas participações em corridas de aceleração, nas quais estabeleceu vários recordes.


COPIANDO GRABOWSKI

 


Ivo começou a montar o T-bucket usado no filme em 1956, na garagem de sua casa, em Burbank, Califórnia, por influência do primeiro carro do tipo que se tem notícia, o Kookie Kar de Norm Grabowski. Ele chegou, inclusive, a procurar o criador do Kookie Kar, pedindo-lhe para tirar algumas medidas do veículo, mas este se negou a dar a autorização. Porém, Ivo não era de desanimar fácil e, um dia em que Grabowski não estava em sua garagem, acabou por invadi-la, obtendo, assim, os dados que precisava.

 

Depois, descobriu uma carroceria de Ford Modelo T 1925, tipo phaeton, abandonada em um deserto. O problema é que uma Yucca, árvore que cresce em locais secos e com que se faziam postes telefônicos, estava prendendo a lataria, razão pela qual Ivo teve de cortá-la. O rodder começou, então, a fazer os serviços de funilaria e a construção do chassi, tendo para isso a ajuda do amigo Randy Chadock.
O próprio Ivo “fechou” o motor utilizado no hot, um Buick 332 V8, que teve a cilindrada ampliada para 402 polegadas graças a Max Balchowsky, que tinha grande experiência nesses propulsores. Em termos de alimentação, inicialmente o carro teve dois carburadores quadrijet e, depois, seis carburadores Stromberg 97, com os quais apareceu em “The Choppers”. Por fim, teve adaptada a injeção de combustível Hilborn (ver Rod & Custom n° 14).

Pintado na cor Titan Red, da linha Buick 1955 e com pinstripes de Von Dutch, este carro participou, com sucesso, de diversas provas de aceleração, mas realmente obteve destaque no cinema. Primeiramente estrelou o filme “Dragstrip Girl”, de 1956, no qual Ivo trabalhou como coadjuvante, fazendo o papel do ladrão que furtava o hot. O T-bucket também foi usado pelo ator Tim Considine na série de TV Spin and Marty, realizada pelos Estúdios Disney, mas, quando não estava filmando, era frequentemente visto com Ivo no drive in Bob´s Big Boy. Este local era o ponto de encontro para corridas em Burbank, as quais ocorriam na River Road. Lá, segundo o construtor, seu carro era imbatível.

 

  

Atentos a isso os produtores de “The Choppers” escolheram o T-bucket de Ivo para a realização do filme, tendo em vista que os Chevrolet Impala utilizados nas filmagens não eram páreos para ele. Naturalmente isso só ajudava Jack “Cruiser” Bryan até certo ponto: ele acabava encurralado com sua gangue no ferro velho de “Big” Moose, quase sendo sepultado vivo entre os carros velhos ali existentes e, é claro, preso pela polícia. Um fim politicamente correto, como era de se esperar de todos os filmes da época.


APÓS O FILME

Após a produção de “The Choppers” o T-bucket passou de mão em mão e hoje faz parte do Motorsport Museum de Pomona, Fairplex, Califórnia, EUA. Já Arch Hall Jr participou, até 1965, de mais cinco filmes: “Eeegah”, “Wild Guitar”, “The Sadist”, “Spies-A-Go-Go” e “Deadwood’76”.


Rod & Custom localizou o ator nos EUA. Tal como seu personagem, Arch Hall Jr também gosta dos hots, conforme nos confidenciou em depoimento exclusivo, quase meio século após o lançamento do filme que o lançou: "Adorei dirigir o carro de 'The Choppers' e tenho hoje um Ford conversível 1943 com motor Mercury Flathead V8 de 1948, com três carburadores de corpo duplo e transmissão de La Salle. Tenho ainda um Ford 1940 quatro portas e um 1941 cupê, bem como algumas motocicletas: Harley Davidson 1945, Indian 1947, Indian 1941 e Lambretta 1960. Tudo isso sem contar uma perua Crosley 1949, que tem um problema no motor, o qual ainda não consegui resolver".


Muito solícito, o ator revelou alguns fatos interessantes sobre o carro usado no filme: “Em 1959 o T-bucket já pertencia a Bill Roland. Eu fiz alguns burn outs, mas nunca corri a grandes velocidades com ele, pois não era muito estável. Uma vez o cameramam, que utilizava uma pesadíssima câmera Mitchell, pediu que alguém movimentasse o carro para tirá-lo da frente da máquina. Pediu duas vezes e ninguém respondeu. Ai eu resolvi ajudar e manobrei o T-bucket, rodando com ele por três metros. Logo em seguida um funcionário da produção veio perguntar quem tinha movimentado o hot. Respondi que havia sido eu. Ele disse que, como ator, eu só poderia fazer aquilo durante as filmagens e que havia transgredido o contrato do filme. Por essa razão o sindicato ameaçou encerrar os trabalhos caso a produção não pagasse o triplo para seus funcionários”.  


Nosso entrevistado, atualmente com 66 anos, também foi piloto de aviões comerciais a jato e, embora tenha se aposentado, ainda voa utilizado uma aeronave acrobática experimental, o Thorp T-18. “Atualmente trabalho na adaptação para o cinema de meu romance, denominado ‘Apsara Jet’. Vou aproveitar a oportunidade para registrar minha admiração pela Bossa Nova de Tom Jobim. Tom é o meu herói. Por fim, gostaria de mandar um abraço para meus fãs do Brasil e, em especial, para os leitores de Rod & Custom!” finalizou Arch Hall Jr .

 

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