
Projeto de som desenvolvido pela Koyama Imports recebe nota dez no nosso teste de qualidade
Instalar um potente sistema de som é o meio de muitas pessoas personalizarem seus carros, diferenciando-os dos milhares de veículos da mesma marca e modelo que circulam por nossas cidades. Porém, para Thiago Maffei Dardis, isso ainda era pouco. Proprietário da Koyama Imports, seu ponto de partida foi um Subaru Impreza WRX 2008, esportivo que recebeu os melhores equipamentos de som automotivo importados pela empresa, a qual é uma distribuidora dos itens de marcas consagradas como JL, DB Drive, Focal, entre outras.

Adquirido no começo deste ano, o veículo, que dispensa apresentações, recebeu itens da linha Utopia, top da gama de produtos da marca Focal. “Desde o início a idéia era mostrar a qualidade desses equipamentos, pois somos os seus distribuidores exclusivos aqui no Brasil,” disse Dardis.
Os equipamentos da Focal mesmo na França onde fica localizada a fábrica, são encontrados em poucas lojas, pois a marca não é massificada. Somente empresas que tenham técnicos com conhecimentos avançados podem comercializar tais produtos, e esta imposição é da própria Focal. O mesmo acontece aqui no Brasil, a Koyama é a distribuidora, mas apenas algumas lojas foram selecionadas e somente após terem passado por um curso ministrado no primeiro semestre deste ano, puderam inicializar comercialização dos equipamentos Focal. Esta foi a maneira encontrada pela marca para garantir a qualidade de seu produto até o momento que o equipamento é instalado. Para o consumidor é mais garantia, pois ele terá a certeza que aquele prestador de serviço tem realmente capacidade técnica para efetuar a instalação.
A responsabilidade pela execução de todo o serviço neste Subaru, que durou cerca de dez dias, ficou a cargo de Fábio Viana, mais conhecido como “Ticano”, um experiente profissional da área de instalação de som automotivo. Afinal, Ticano atuou na customização do Astra “show car” da Koyama, carro que estampou as páginas da Street Motors Car Audio número 1.
Em busca da perfeição sonora, a primeira etapa do trabalho desenvolvido no Subaru foi o tratamento acústico realizado com manta asfáltica. “Esse revestimento tira toda a vibração existente no veículo, algo que proporciona muito mais qualidade ao sistema de som utilizado”, disse Ticano.
Ultrapassada essa etapa, o foco se voltou para a confecção da caixa Bass Reflex, com sintonia em 33 Hz.
Confeccionada em MDF de 25 mm de espessura, ela recebeu revestimento com carpete aveludado na tonalidade grafite, seguindo assim as mesmas características internas originais do veículo. Para diferenciá-la das demais caixas e dar um toque ainda mais moderno ao conjunto, a frente foi pintada na cor aço escovado. Modelagens no tecido conferiram o efeito embutido apresentado nas fotos.
“Essa foi a parte mais difícil do projeto, pois, para chegar aos 64 litros que a caixa tem hoje, precisei fazer uma série de adaptações, mas valeu a pena: dentro do carro, é possível sentir de forma acentuada toda a vibração do grave”, comentou o instalador. Na caixa, encontramos três subwoofers Focal, modelo Utopia Be 21 WX. Além disso, o porta-malas ainda comporta dois amplificadores (também da Focal, modelo Dual Monitor) e dois crossovers instalados um de cada lado do compartimento. Para complementar, todo o local recebeu isolamento acústico.
Nas portas dianteiras, os grandes destaques são os mids do kit Focal Utopia Be número 5. Para que o som propagado por esses equipamentos pudesse ser ainda melhor, a equipe de profissionais resolveu acoplá-los em caixas acústicas de quatro litros e meio. O acabamento externo ficou impecável. Todo o cabeamento utilizado na composição desse projeto são da Van Den Hul. O sistema de som original foi substituído por um CD player Clarion DRZ 9255. Um pouco menor que o anteriormente empregado, esse novo equipamento exigiu adaptações no painel.
Na parte mecânica, o Subaru não sofreu alterações. O visual agressivo fica por conta do uso das rodas Giovanna aro 20 calçadas com pneus Yokohama 225X30 R20. Segundo o proprietário, o veículo, utilizado no dia-a-dia, alcança os 1.000 watts de potência. “As minhas expectativas em relação ao projeto foram ultrapassadas. O sistema de som ficou perfeito”, finaliza Dardis. E se o leitor ficou em dúvida quanto ao resultado de todo o sistema de áudio utilizado no Subaru, acompanhe o resultado dos testes realizados por Silvio Sakata, nosso consultor técnico e especialista em sistemas Hi Fi.

AVALIAÇÃO DO ÁUDIO:
Em nosso teste prático do Subaru Koyama, o primeiro CD utilizado foi Café Bossa, da cantora Filipina Sitti Navarro. Na faixa 2, a voz soou com um pouco de ressonância na parte baixa e os agudos se mostraram detalhados, porém, bastante sibilantes. Os médios graves, na faixa 3, soaram com um pouco de ressonância: o som parecia “oco” e a voz também estava sibilante. A imagem central (voz) estava um pouco desfocada e deslocada para a direita. Na faixa 11 o problema nos médios graves e a sibilancia na voz também continuavam.
O segundo CD foi Someone Like You, da cantora Susan Wong. Na faixa 1, as batidas da “vassourinha” na caixa da bateria soaram com excelente detalhamento, porém, com uma ressonância nos médios graves, problema detectado anteriormente com o CD de Sitti. A voz soou natural. O coral se apresentou natural na faixa 10, limpo mesmo nas partes de maior dinâmica. Na faixa 11, a parte alta da voz se mostrou um pouco sibilante. As ressonâncias citadas parecem picos na faixa dos médios graves.
What Is Love, da cantora Mari Nakamoto, foi o terceiro CD utilizado. Na faixa 1, a dinâmica média foi surpreendente, característica que é muito difícil de reproduzir em um veículo. Os ataques da caixa da bateria no canal direito soaram rápidos e velozes, com excelente resposta a transientes. Os agudos do prato da bateria se mostraram muito naturais, com caráter metálico na medida certa. A macrodinâmica foi excelente, sem nenhum sinal de compressão ou saturação, mas o que impressionou foi o ataque da caixa da bateria. A voz de Mari soou forte na faixa 2, aberta na medida certa. Toda região das freqüências médias se mostraram poderosas e naturais. Na faixa 4, o som soou aberto, com as dinâmicas irretocáveis (micro, média e macro). Os graves se mostraram articulados e rápidos. A voz que fica na posição central continuava um pouco deslocada para a direita, mas lembrei que o dono do carro é bem mais alto que eu, então me levantei um pouco. A imagem central foi para o lugar certo e com bom foco. Com os dois primeiros CDs, o resultado deixou a desejar, mas, com o terceiro, foi maravilhoso. No mínimo estranho! Foi ai então que entendi: inicialmente o equipamento estava frio, mas depois se estabilizou termicamente, algo crucial em sistemas de alto nível. Resolvi então colocar de novo os dois primeiros CDs e posso dizer que o resultado mudou da água para o vinho.Todos aqueles problemas de sibilância exagerada e ressonância desapareceram por completo. Nesse sistema o warm-up faz toda a diferença.

Na segunda tentativa, com o CD de Sitti Navarro, os graves soaram rápidos e firmes na faixa 2. A voz soou natural, sem sinais de sibilância e o foco na posição central melhorou bastante. No CD de Susan Wong, o sistema soou muito refinado e com dinâmica excelente. A voz se mostrou natural e sem as ressonâncias, que antes eram muito incômodas. O sistema do Subaru foi um dos melhores que ouvi até hoje, pois nenhum outro ficou marcado dessa forma na minha memória. A dinâmica é excelente, algo que, na maioria dos outros sistemas, sequer existe. A resposta a transientes também é fantástica, muito rápida e natural. Os agudos são um show a parte: extensos e pesados. Não existem pontos negativos no que diz respeito à qualidade de som. Por fim, fiz algumas pesquisas e também conversei com meu amigo Tony Gee (HumbleHomemade, Holanda), concluindo que esse tweeter Berilio da Focal, junto com os Accutons de cone de cerâmica, são os mais neutros que existem no planeta. Ou seja, se você não usar uma eletrônica de alto nível (CD player, cabos e amplificadores), o resultado será desastroso, pois os tweeters reproduzem fielmente os sinais que chegam a ele.
Texto Claudia Cardinale Fotos Marcello Garcia


