Muita criatividade e nada de exageros foram os principais desafios no desenvolvimento desta Saveiro Turbo
Ao contrário dos diversos carros customizados que vemos por aí, repletos de acessórios, pára-choques personalizados e um motor completamente preparado, há quem prefira personalizá-los sem fugir do projeto original do carro. É o caso do
Apaixonado por picapes, o gosto de Júnior pela preparação de veículos surgiu ainda cedo quando era adolescente. Morando durante dez anos no Japão, onde a maioria dos automóveis é customizado, Júnior teve a oportunidade de conhecer um pouco desse mercado que movimenta, anualmente, cerca de US$ 1 bilhão pelo mundo. A paixão por carros e preparações acabou fazendo com que um simples “hobby de garoto”, ao longo dos anos, se tornasse uma profissão e atualmente, Júnior trabalha na Motor Race, local onde desenvolveu o projeto do carro por completo.
Ciente do que queria, Júnior iniciou o projeto de customização que levou três meses para ser concluído e exigiu um estudo minucioso para que cada detalhe saísse exatamente como havia sido planejado. Para atingir ao estágio desejado, o AP original de 1,8 litro não precisou de muitos ajustes e adaptações, já que este tipo de motor é elogiado por preparadores pela sua robustez e resistência, sobretudo pelas paredes do bloco, menos propensas às trincas.
“Tempero” no motor
A mecânica original duraria pouco. Afinal, como bom conhecedor e um “quase japonês”, dificilmente o carro ficaria sem um turboalimentador. “ Realmente é complicado se adaptar com motor original. Sempre gostei da Saveiro por ter motor AP e também pela possibilidade de receber turbo”, explica.
O kit instalado conta com turbo Garret .48/.50, utilizando um coletor monofluxo e ajustado para trabalhar com pressão de 1,2 kg o que, na prática, proporciona uma arrancada mais forte e alta performance até a quinta marcha. Para proporcionar mais segurança e evitar panes elétricas, afinal, a mecânica sofreu melhorias, o sistema elétrico recebeu cabos de velas de 8.0 mm da Accel.
Para sintonizar com a performance da preparação do motor, o conjunto de embreagem foi calibrado para suportar 900 libras, o que na prática garantiu um melhor rendimento nas trocas de marchas, sem que os giros do motor caíssem repentinamente. Agora a Saveiro de bons 99 cv rende cerca de 200 cv lisos e sem problemas de pilotagem, afinal o proprietário é consciente: “Não gosto de sair fritando pneus como a maioria faz. Prefiro andar tranqüilamente pelas ruas e, quando necessário, dou uma leve esticada”.
Visual racing
Se a mecânica atende mais pelo lado do simples e objetivo, por fora a Saveiro chama atenção.
“Mesmo sendo discreta em termos de estilo, a minha Saveiro consegue atrair uma legião de curiosos. Já até recebi proposta de compra, mas o povo não quer pagar o que vale. Preferi ficar com ela e cuidar ao máximo”, completa.
O motivo de tanta procura começa pela tampa traseira, no estilo shaved (alisada) e sem o logotipo da Volkswagen. As rodas, por sua vez, agora são da Kromma aro 17, semelhante às utilizadas no Audi A8 e calçam pneus Toyo Proxes nas medidas 205/40 R17, que ajudam a destacar ainda mais a esportividade da Saveiro. Já na parte dianteira, a grade foi pintada de cromo, assim como os espelhos retrovisores, dando um tom de esportividade à picape.
Quanto à estrutura do carro, a equipe da Motor Race substituiu as molas originais por especiais do tipo rosca da Drift, garantindo mais estabilidade nas curvas, sem alterar o conforto do “piloto” e passageiro. 
Painel completo
Já na parte interna, o show de equipamentos trazido do Japão dá o tom de exclusividade deste carro. Para monitorar o desempenho do “novo” motor, Júnior desenvolveu uma coluna de instrumentos equipada com quatro manômetros Blitz, sendo um para pressão do turbo, outro da pressão do óleo e os demais para monitorar a temperatura de óleo e água.
Acima do porta-luva, um hallmeter argentino Orlan Rober e mais outro instrumento para medição da pressão do combustível Cronomac, finalizam o conjunto em parceria com um conta-giros Auto Meter Monster equipado com shift-light.
O sistema multimídia também é de última geração e aclamado em todo o mundo. Conhecido como Carrozzeria, o sistema desenvolvido pela Pioneer oferece potência e qualidade acústica em mesmo número. Sabedor deste poderio, Júnior instalou o kit completo, também trazido do Japão, que é composto por um aparelho de DVD Pioneer DEH 4800 responsável por enviar os sinais de áudio para um kit de duas vias Alpine, dispostos nos locais originais das portas, além de um subwoofer Bravox XP 450W RMS de 12” instalado no porta-malas. Para desenvolver a potência necessária e garantir sobriedade ao sistema de áudio, dois módulos amplificadores Stetson equipam o sistema de som operando um de dois canais CDT 2250 em sistema Mono e o outro de quatro canais CDT 4850 no modo Stereo.
O toque final de criatividade interna fica por conta dos bancos concha Recaro e volante esportivo Momo Racing. O restante permaneceu original: “nada de excessos e exageros” confirma Júnior.
O resultado final é um verdadeiro investimento financeiro aliado, tanto pelo prazer do trabalho, quanto ao automobilismo. Fazer o quê? Cada jóia tem seu preço!
Curiosidades
A Saveiro (nome de uma embarcação típica do nordeste brasileiro) foi lançada em 1982 e sendo as primeiras unidades equipadas com motor 1,6 litros refrigerado a ar. Somente três anos depois, a linha passou a ser equipada com refrigeração líquida, uma exigência do público que reclamava da falta de potência do antigo motor.
Em 1987, a picape da Volkswagen ganhava a sua primeira reestilização. A dianteira recebeu novos faróis, grade e pára-choque, acompanhando a mudança dos outros modelos do projeto BX (Gol, Parati...).
A Saveiro ainda teve algumas séries especiais que marcaram época entre seus fãs, principalmente entre os jovens e surfistas. Entre elas, a Sunset, lançada em 1993 e a Summer de 1995.
Em 1996, a era da injeção eletrônica de combustível chegava em toda a linha Saveiro. No ano seguinte, a picapinha da VW recebeu uma completa reestilização, acompanhando as mudanças do Gol (1994) e Parati (1995). Nessa época toda a família do projeto “AB9” era conhecida pelo apelido de “Bolinha” devido às linhas totalmente arredondadas. Nessa versão, a picape ganhou um interessante modelo, o TSi, equipado com a opção dos motores 1.8 e 2.0, mas que não fez muito sucesso e acabou saindo de linha.
Já em 2000, a Saveiro sofreu outra mudança em sua carroceria e painel, ficando conhecida como GIII (geração 3). Até 2005, quando foi substituída pela Geração 4, a Saveiro ganhou a série especial Super Surf que depois virou versão, devido ao sucesso de vendas, entrou na era dos motores bi-combustíveis e por fim, ganhou a versão Crossover, agradando ao público jovem.
Por Fernando Garcia Fotos Marcello Garcia


