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Mustang Roush no Brasil

Responsável pela fabricação de alguns dos Mustang mais “quentes”
feitos nos EUA, modelos da famosa preparadora já estão disponíveis em nosso País

    
Por: Rogério Ferraresi
Fotos: Bruno Guerreiro
Matéria originariamente publicada na revista Rod & Custom 19. Complete a sua coleção: www.lojastreetcustoms.com.br 
 
Muitas vezes as adversidades representam apenas a outra face da moeda do sucesso. Exemplo disso é o Mustang Roush, carro que faz muito sucesso nos EUA e agora está disponível em nosso mercado. Seu criador, Jack Roush é um grande nome da customização e corridas de automóveis que atualmente dedica-se a modificação do citado pony car, tal como Carrol Shelby já fazia, com o carro da Ford, na década de 60.
 

 
Tudo teve início em 1988, quando Jack começou a trabalhar no projeto de um motor V8 biturbo de 400 cv. Procurou então o apoio da Ford para desenvolver o veículo, mas a montadora, preocupada com os eventuais danos a sua imagem que eventuais problemas com Roush poderiam trazer, acabou por não apoiar a iniciativa. O empresário decidiu, então, que só voltaria a investir na idéia após ter obtido o devido lastro financeiro, não tendo, desse modo, que contar com o auxílio direto da Ford. Tempos depois, em 1995, o customizador fundou, em Livonia, Michigan, a Roush Performance Products, produzindo e vendendo peças mecânicas de alta performance para Mustang, bem como itens de apelo estético. Com o passar dos anos a empresa cresceu, aumentou o capital de giro e fixou sua marca no competitivo mercado americano, fatos que possibilitaram a Jack retomar seu antigo projeto e, dois anos depois, lançar suas próprias versões modificadas do pony car.
 

 
O primeiro Mustang Roush era um GT sem muitas alterações, mas foi bem recebido pelos entusiastas. A segunda geração surgiu em 1999 e era mais sofisticada. Foi oferecida até 2004, sendo composta por três versões diferentes (denominadas “Stage”), disponíveis para os Mustang “New Edge” com motores V6 ou V8. Havia ainda o pacote “pé de boiRoush Sport, para o modelo básico do Ford, com melhorias estéticas (internas e externas) e sistema de escapamento modificado. Em 2002 a versão Stage 3 foi subdividida em três categorias: Rally, Premium e Sport.
 

 
A terceira e atual geração surgiu em 2005, também baseada no Mustang GT e composta das versões Stage 1, Stage 2, Stage 3 e Sport, bem como pelas séries especiais Speedster, RTC, 4.0L V6, Black Jack, 427R, 427R Trak Pak, P-51A e P-51B (homenagem ao famoso avião caça da II Guerra Mundial que também se chamava Mustang). Novas alterações se seguiram no ano passado, permanecendo em linha os Stage 1, Stage 2, Stage 3 e 427R, ocorrendo ainda o lançamento do 540RH, assim denominado por desenvolver 540 cv (SAE).
 

 
Naturalmente a empresa não abandonou a produção de peças para a preparação, ainda oferecendo uma ampla linha de itens para performance, como cabeçotes de alumínio, superchargers, rodas exclusivas, conjuntos de suspensão e kits aerodinâmicos de carroceria. A linha de produtos existente em catálogo é muito lucrativa e continua a colaborar, financeiramente, para a Roush produzir seus Mustang especiais. As diferenças entre os carros do tipo Stage residem no aspecto e na performance.
 

 
O Stage 1, em relação ao Sport, tem outras alterações estéticas (ambos são diferentes do Mustang GT de fábrica) e suspensão especial sendo, portanto, um carro de comportamento dinâmico superior, com amortecedores, molas e barras estabilizadoras especificas. Acrescido dessa suspensão modificada e de mudanças no motor, o Stage 2 acumula as vantagens da versão mais simples feita pela Roush. Conta ainda com sistema de freios a disco Roush nas quatro rodas em lugar do conjunto original. Os discos dianteiros são ventilados e perfurados, enquanto suas pinças têm quatro pistões.
 

 
O Stage 3, mais caro, é também mais refinado em termos mecânicos, tendo motor ligeiramente preparado, quase se caracterizando como um carro de corridas. A unidade aqui apresentada, do tipo Stage 2, com números de série 11-0097 (plaqueta da carroceria) e 11-0055 (plaqueta do cofre do motor), reúne, portanto, todas as boas características do Mustang original, acrescidas de um “chassi” ainda mais adequado para o excelente motor  Ti-VCT 5.0 L (de “twin independent” e “variable cam timing”) ou “Coyote”, como é popularmente denominado pela engenharia da Ford, em homenagem ao piloto A. J. Foyt, que construiu e pilotou os monopostos Coyote de Fórmula Indy, que empregavam motor Ford.
 

 
Originalmente este 5.0 V8 de quatro válvulas por cilindro, produzido em Romeo, Michigan (EUA) e Windsor, Ontário (Canadá), tem 302 polegadas ou 4.951 cm3, com diâmetro e curso de 92,2 mm x 92,7 mm. Não é, entretanto, o nosso conhecido 302, pois faz parte da família “Modular”, que também deu origem aos propulsores Ford Triton e Lincoln InTech. Desse projeto surgiram os atuais 4.6 e 5.4 V8 (de duas e três válvulas, também feitos na Austrália), 5.0 e 5.3 V8 “Commer” e 6.8 V10 (de duas e três válvulas), além do já citado “Coyote”. Graças ao seu avanço tecnológico, o “Coyote” original, com cabeçotes e bloco de alumínio, desenvolve uma potência de 412 cv (SAE) a 6.500 rpm, com torque máximo de 390 lbft a 4.250 rpm, praticamente apresentando os mesmos números do propulsor Chevrolet LS3 402 V8 de 6.200 cm3 do Camaro.
 
 
 
Por tal motivo qualquer melhora no comportamento dinâmico do Mustang é bem vinda, tendo em vista que a mesma irá colaborar com o aproveitamento da sua “usina de força”, algo ainda mais importante caso o carro tenha motor preparado, fato este que, por si só, explica o sucesso obtido pela empresa de Jack Roush. Mas isso não é tudo: o carro das fotos está equipado com um opcional muito interessante: o compressor Roush, com especificação para competição (existem outras verções) produzido com tecnologia Eaton TVS (não se trata do canal do “patrão”, mas da sigla de Twin Vortice Series, ou série de vórtice gêmeos).
 

 
Trata-se, em poucas palavras, de um compressor volumétrico tipo Roots, também conhecido como blower (soprador). O equipamento, acionado por correias pelo virabrequim, força a entrada de ar nos cilindros, permitindo a queima de uma maior quantidade de combustível, o que se reflete no aumento da potência. O compressor Roush, nos EUA, tem garantia de 3 anos ou 36 mil milhas e é proibido na Califórnia, estado com rígidas leis antipoluição, mas faz a potência do “Coyote” saltar para 750 cv,. A caixa de cambio é baseada na do Mustang tradicional: manual de seis marchas, têm relações de, respectivamente, 3,66:1, 2,43:1, 1,32:1, 0,65:1 e 3.31:1, com relação de 3.31:1.
 

 
O Mustang Roush Stage 2 (também disponível com carroceria conversível) apresenta parachoques, grade do radiador (superior e inferior) e apliques das caixas de ar específicos, assim como  os emblemas da empresa, nas cores vermelha e preta, com fundo cromado. A tampa do tanque de combustível, o spoiler e a saia traseira também são feitos pela Roush. O capô conta com três faixas pretas largas, vazadas por duas outras, longitudinais, na cor da carroceria. Os dois segmentos pretos mais finos, quando próximos do parabrisas, apresentam a inscrição vazada “Stage 2”.A faixa se repete, simples, mas volumosa, no teto, na tampa do porta malas e no painel traseiro. A parte superior do para brisas apresenta a palavra “Roush”, em letras grandes.
 

 
As esguias faixas laterais, na altura dos pés dos paralamas, contam com a inscrição “Roush” em letras vazadas. As persianas laterais traseiras, detalhe inspirado no modelo fastback da década de 60, ocupam o local das pequenas janelas do GT. O Roush, cujas rodas de liga leve opcionais de aro 29, pintadas de preto, tem design exclusivo, é entregue com pneus Cooper Zeon RS3, mas o “nosso” utilizava os Pirelli PZero 275/35/R20, tendo em vista que os “originais” devem ter se desfeito durante burn outs devido a grande potência do motor, algo fácil de ser assimilado pelas fotos aqui publicadas. Internamente o pony car continua a impressionar.
 

 
Pedais, trava da tampa do console, manopla de câmbio e outras peças trazem a marca Roush. Existe iluminação azulada na área das maçanetas das portas, no porta copos do console e até no friso da soleira. O painel tem velocímetro graduado até 160 mph/260 km/h e diversas luzes espia, bem como conta giros para até 8 mil rpm. Entre eles ficam outros quatro instrumentos menores: marcador do nível de combustível, termômetro, voltímetro e manômetro de óleo. A iluminação, neste caso, é pelo sistema My Color, com 164 opções de cores diferentes. Importado pela Berg Imports (www.bergimports.com.br), de Piracicaba, SP, que também trabalha com motos, aviões, iates e helicópteros, a linha Roush ratifica o slogan da empresa, “The Art of Performance Engineering”, sendo comercializada sob encomenda.
 

 
O valor dos Mustang modificados pela Roush varia conforme a versão e os itens opcionais escolhidos pelo comprador. Um carro como o aqui enfocado era vendido, durante a realização dessa matéria, por R$ 260 mil, enquanto um Camaro básico, por exemplo, era oferecido, nos concessionários Chevrolet, por algo em torno de R$ 185 mil. Independente disso essa situação deve mudar em breve, pois a Berg Imports já iniciou o processo para se tornar o “official dealer” da Roush no Brasil e, uma vez obtida a exclusividade, será possível trazer um número muito maior de unidades do que as hoje existentes por aqui, o que refletirá positivamente no preço, tornando o veículo bastante competitivo em relação ao Camaro. O mesmo acontecerá com os componentes vendidos pela empresa, como kits de freio, suspensão e blower. O Mustang Roush continuará, é claro, sendo um modelo exclusivo, para poucos felizardos, mas de uma coisa não temos dúvida: o carro vale cada centavo nele empregado! 
 

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