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Highboy 1929 Retrorides

Alteração de cilindrada, carroceria artesanal e peças de alumínio exclusivas constituem a síntese de um audacioso roadster criado no interior de São Paulo


Por Claudia Cardinale
Fotos Bruno Guerreiro


Apesar de muitos não concordarem com o ditado “filho de peixe, peixinho é” torna-se quase que impossível não mencioná-lo em histórias como a de Gustavo Lourenço proprietário deste Ford Roadster Highboy 1929, a mais recente criação da equipe de profissionais da oficina Retrorides By Lourenço, localizada na cidade de Campinas, SP.
Encantando com a dedicação de seu pai, José Alberto Lourenço, fundador da oficina e que a mais de trinta anos atua no segmento de street machines e hot rods (como é o caso do Opel Olympia 1951 participante do 1º Rod & Custom Road Tour), Gustavo, que desde criança sempre esteve envolvido com projetos automotivos, decidiu que era hora de realizar um antigo sonho de família: montar um hot da década de 20, utilizando-se de peças de alumínio usinadas (billet) com exclusividade dentro da própria Retrorides.“O desejo de valorizar ainda mais a capacidade e os produtos desenvolvidos por nós, brasileiros, sempre esteve nos planos da oficina e eu me sinto muito feliz por poder concretizar essa idéia.”, disse Gustavo. Contando sempre com a ajuda do irmão Rodrigo e da experiência e presença constante de José, o projeto, de tão especial, tornou-se o mais novo cartão de visitas da oficina.

A participação da Retrorides  no XV Encontro Paulista de Autos Antigos, ocorrido entre os dias 16 e 21 de abril último em Águas de Lindóia, SP (vide matéria nesta edição) foi um bom “termômetro” para avaliar a excelente reação do publico no tocante ao Roadster. Extremamente elogiado e fotografado, o carro despertou o fascínio de milhares de visitantes que estiveram no local. Porém, apesar de gratificante, a tarefa de construir a máquina não foi nada fácil: foram necessários 14 meses de muita dedicação e paciência para finalizar o veículo.Tudo começou pelo chassi, denominado Pro-Street pela Retrorides. Ele foi desenhado por computador, com o auxílio do softwear AutoCAD, e cortado a laser em chapas de aço carbono 3/16. Recebeu suspensão dianteira independente, que conta com estrutura tubular, bandejas artesanais inferiores e superiores, além de amortecedores do tipo coil over da marca QA1.

Na parte traseira foram utilizados braços longitudinais paralelos (ladder bars), fixados no chassi e no diferencial Dana 44 (item “herdado” de um Maverick V8), com relação de 3,07:1. As peças dos sistemas de suspensão também foram produzidas pela Retrorides. O motor é um Ford 302 V8, de 4952 cm3 que, segundo Gustavo, foi retirado de um Mustang 1973. Preparado, ele conta hoje com um kit Eagle, cuja utilização permitiu alterar a cilindrada para 5690 cm3 ou 347 polegadas. Isso foi possível com o uso de virabrequim de 86,36 mm (contra 76,2 mm do 302) e bielas de 137,16 mm (contra 129,286 do 302) forjados. Além disso, os dutos de admissão e escape dos cabeçotes foram retrabalhados, para possibilitar um melhor fluxo dos gases, enquanto as válvulas de fábrica foram substituídas por outras de aço inox, sendo que as de admissão tem 51,3 mm (contra 43,7 mm das originais) e 40,6 mm (contra 38,1 mm das originais).
 
A taxa de compressão não foi alterada Naturalmente, com o cabeçote modificado, o carburador original deu lugar a um quadrijet Holley de 750 CFM, montado sobre um coletor de admissão Weiand Stealth. Bobina de ignição MSD, cabos de velas Ford Racing, scoop de três borboletas Summit Racing, radiador dimensionado, ventoinha elétrica e sistema de polias Poli-V em alumínio, cuja fabricação tem a assinatura da própria oficina (tal como as tampas de válvulas), complementam o trabalho. Com todas essas mudanças o carro só utiliza gasolina Premium e, de acordo com Gustavo, proporcionaram ao hot uma potência em torno de 300 cv. Vale citar que os coletores de escapamento, do tipo zoomies, foram feitos na própria Retrorides, empregando tubos de duas polegadas de aço carbono cromado.

Este item era muito utilizado pelos dragsters de motor traseiro da década de 60, pois colaborava para dissipar, por intermédio dos gases oriundos da combustão, a fumaça levantada pelos enormes pneus Mickey Thompson montados nas rodas do eixo de tração.Nos hot rods, porém, a função dos coletores zoomies é meramente estética, causando grande impacto visual, tal como ocorre no caso do carro aqui apresentado. Além disso, por dispensar o uso de abafadores, o ronco do motor com os zoomies torna-se ensurdecedor, prendendo a atenção das pessoas que, maravilhadas, chegam a ficar de boca aberta diante do Roadster. A caixa de câmbio, também retirada do Mustang, é uma C4 automática de três velocidades, mas o sistema de freios não emprega itens da marca Ford. Na frente foram adaptados os disco e pinças do Chevrolet Chevelle Malibu 1968 e, na traseira, os discos e pinças do Alfa Romeo 164 1995. Por esta razão foi necessário realizar alterações nos discos italianos, possibilitando, assim, a utilização de quatro rodas com a furação da linha Chevrolet americana. O Roadster também conta com servofreio, sendo este oriundo do Chevrolet Diplomata 1992.
 
Outro item de projeto italiano nesse carro é a caixa de direção do Fiat Uno, que utiliza o consagrado sistema de pinhão e cremalheira. Ao contrário de muitos projetos, este Highboy não conta com assistência hidráulica: “O nosso Roadster apresenta um centro de gravidade bem distribuído, tornando tal artifício dispensável para deixar a direção mais leve, muito embora o carro conte com rodas American Racing TypeM, nas medidas 17X7 e 17X8, ‘calçadas’ com pneus Toyo Proxes de 215X40 e 275X55”. A carroceria em fibra de vidro também foi produzida pelos Lourenço e ostenta portas alisadas, cuja abertura é feita mediante o uso de maçanetas internas especialmente projetadas pela equipe da Retrorides. Entre os detalhes da carroceria, destaque para os faróis Autoloc com aros e carcaças nacionais feitos em torno de repuxo. As lanternas, importadas, são do Ford 1939, enquanto o colete do radiador, em fibra de vidro, tem o mesmo aspecto da peça usada no Ford 1932 e também foi feito pela Retrorides.

A grade, de aço inox, veio dos EUA e é da marca Dan Fink Metalworks. Outra peça importante para o visual do veículo e que foi feita pela oficina é o quadro do párabrisas tipo Duvall, item usinado em alumínio e muito utilizado pelos rodders americanos desde que foi criado, no fim dos anos 30, por George DuVall. Depois, chegou a hora de selecionar a cor do Highboy, sendo a nuance escolhida o Danúbio Green, da linha PPG Vibrance, a qual também seria vista no quadro Duvall. Depois de pintado o carro ainda ganhou flames feitos com a mesma tinta, mas acrescida de pigmentos prateados, numa sutil demonstração de bom gosto e apurado padrão estético. Internamente o banco, especialmente desenvolvido para este projeto, além de confortável foi revestido em couro na tonalidade areia, material igualmente empregado na forração dos painéis de portas.
 
O contraste no habitáculo ficou por conta do uso de carpete da mesma cor, porém em uma tonalidade mais escura. Este material encobre o assoalho de aço inox e confere um toque extra de sofisticação ao Highboy. Alisado, o painel conta com marcador do nível de combustível, voltímetro, velocímetro, manômetro de óleo e termômetro de água, todos com fundo branco, da linha Ford Racing.  As molduras dos citados instrumentos, feitas em alumínio, foram outros itens fabricados pela Retrorides, que também desenvolveu as pedaleiras, a coluna de direção com alavanca de cambio incorporada e o volante cujo aro, forrado com o mesmo couro dos bancos, completam o interior exclusivo do Roadster. O mais gratificante neste projeto, entretanto, é a certeza de que é possível desenvolver, aqui no Brasil (e partindo do zero), um carro com o mesmo grau de qualidade e sofisticação dos modelos feitos nos EUA. Afinal, como pode ser visto nas fotos dessa reportagem, material humano para isso não nos falta, sendo que o trabalho da Retrorides (acrescido da beleza da pinup Luana Rezende Queiroz) resulta em um quadro tão fantástico que, com toda certeza, em nada ficaria a dever para o que de melhor é feito no resto do mundo em termos de hot rods.



Agradecimentos:

Modelo: Luana Rezende Queiroz


Maquiagem e cabelo: Maria Angelina Cascales
                                   Cascales Cabeleireiros
                                    (11) 2215-3867

Corsets: Madame Sher
www.madamesher.com/pt


Sapato: Cisi Calçados
www.cisicalcados.com.br
 

Comentários 

 
#1 Fabio 17-03-2012 19:16
Gostei muito bonito ,Tenho um 1932 rodster em Floripa muito parecido ,gosto muito deste estilo parabens .....
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