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Charger R/T 1972- Grande Clássico

Charger R/T 1972 integrante do Mopar Clube do Brasil foi restaurado com todas as características vigentes há mais de três décadas

Clássico que é clássico nunca sai de moda. Se você conhece alguma pessoa na faixa dos quarenta ou cinqüenta e poucos anos que se interessa por automóveis, faça o teste e pergunte quais os carros mais possantes e velozes de tendência esportiva que ele tem como referência imediata ou que foram “sonhos de consumo” de sua juventude.

 

Na resposta, com certeza vai estar o protagonista desta reportagem: o Dodge Charger R/T (a sigla significa “Road and Track”, ou estrada e pista, em português), atestando sua intenção de versatilidade e força.
Com produção iniciada em 1966, o Dodge Charger surgiu como uma resposta da Chrysler para seus concorrentes diretos no mercado dos muscle cars. Derivado do modelo Coronet, o Charger se caracterizava por exibir um visual inovador e motores de potência bruta.

 


No Brasil, a Chrysler iniciou a bem-sucedida saga dos Dodges com o lançamento do modelo Dart, em 1969, seguido, no ano seguinte, da apresentação do esportivo Charger R/T – inicialmente produzido com motor de 215 cv e dotado do privilégio de ser considerado o automóvel de série mais veloz do país (alcançava 180 km/h).
Com diversas opções de cores e uma boa gama de opcionais, o R/T 1972 ainda marca época como um dos mais carismáticos de sua categoria em território nacional. Ele conta com algumas inovações de estilo e detalhes que, basicamente, tinham a intenção estética de deixá-lo mais largo e semelhante ao seu irmão norte-americano.

DE ELITE
Adquirido bastante descaracterizado de seu formato original há cinco anos, esse R/T 1972 passou por um processo de restauração detalhado, que levou cerca de três anos para sua conclusão e que tinha como objetivo deixá-lo apto a passar pelos trâmites necessários para conquistar seu principal certificado de originalidade: a placa preta.
O proprietário desse carro, integrante do Mopar Clube do Brasil, preferiu não se identificar, mas falou abertamente sobre sua paixão incondicional. Inicialmente nos passou um material publicado em uma revista especializada em 1971, com um teste que vislumbrava o Charger R/T como um dos modelos mais promissores para o ano seguinte em seu segmento de mercado. E para se ter uma idéia do grau de conservação de seu R/T, ele afirmou com todas as letras que o R/T pode ser considerado “idêntico” ao modelo que estampava as páginas da revista há mais de 35 anos.


“Não há como negar que todo o universo que envolve a história da Chrysler e especificamente deste Charger R/T 1972, no Brasil, é fascinante. Todo o conjunto de desempenho dele sempre mexeu comigo de forma diferente e sei que também é assim com muitas pessoas. Atualmente, há apenas cerca de 30 modelos como este no Brasil. São cada vez mais raros, mas não menos visados”, afirma.

ESTRADA E PISTA
O destaque que mais valoriza o design desse R/T certamente vai para a ligação do teto com a parte traseira, feita por colunas laterais salientes. O capô é quase todo pintado de preto, com duas listras verticais estilizadas, que combinam perfeitamente com os frisos laterais, também exclusivos. A grade dianteira é pintada de preto fosco, tem uma moldura cromada e barras horizontais, que abrigam e ocultam os faróis.


Atrás, as lanternas têm três gomos e a pintura é na tonalidade “branco polar”, o que lhe rendeu o apelido de “white snake” (cobra branca, em português), entre os participantes do Mopar Clube. 
A imponência esportiva se reforça ainda mais pelo estilo das rodas cromadas, semelhantes às utilizadas nos Chargers de competição, de aro 14” e sem calotas. Os pneus que equipam os modelos são Firestone, de medidas 185/70 R14.
A suspensão dianteira é independente e conta com braços triangulares, barras de torção longitudinais, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos. A traseira tem eixos rígidos e feixe de molas semi-elípticas longitudinais e amortecedores também telescópicos. Os freios são a disco, ventilados nas rodas da frente, e a tambor na traseira.
Dentro do capô, o R/T contava com o trunfo de ter o oito cilindros de série mais possante e moderno do Brasil da época. Com 215 cv e taxa de compressão original de 8,4:11, o propulsor funcionava em baixa rotação (o que lhe possibilitava uma durabilidade mais longa) e tinha um alto consumo (fazia de quatro a seis quilômetros por litro).

      
Ainda original, a caixa de câmbio permanece sendo de quatro velocidades e a embreagem conta com monodisco a seco de comando mecânico. O carburador é um DFV duplo descendente e a refrigeração é a água, com bomba centrífuga e radiador.

LUXO ETERNO
Sua estabilidade era tida como um dos destaques para o porte do carro, sobretudo nas curvas desenvolvidas em velocidades médias. O único “defeito”, apontado por muitos na época neste sentido, residia no fato de que sua direção hidráulica (isso mesmo, na década de 1970 o carro já contava com esse luxo) “ultra-sensível” ainda prejudicava um pouco sua estabilidade direcional.
O Charger R/T ainda conta com revestimento de couro e assentos anatômicos desenhados exclusivamente para o carro na época. O painel é revestido em material que imita jacarandá e tem instrumentos de fundo branco com marcadores em preto. Nele, há conta-giros, velocímetro com hodômetro e um instrumento conjugado, com luzes indicadoras de pressão de óleo, carga da bateria, faróis, nível de gasolina e temperatura do motor.

      

O volante é revestido com material similar ao couro. Com tanto cuidado e esmero no trato com essa relíquia nacional, podemos até parafrasear sem medo o final da reportagem publicada há 36 anos sobre o então “novato” R/T.
Em linhas simples e bem escritas, que até hoje nunca perderam a validade para todos os apaixonados pelo modelo, foi dito o seguinte: “... para quem gosta de um carro de aparência agressiva e desempenho esportivo acima da média, o Charger R/T pode ser facilmente o melhor dos melhores carros brasileiros de série”. Sem dúvida foi, e sempre será! 


Por Fernando Cappelli Fotos Marcelo Garcia

 

 

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