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Brasília 1975 - Fora do Comum

Preparada para competições de arrancada, esta Brasília 1975 conta com equipamentos que proporcionam um rendimento de 620cv

A história do empresário paulista Rodrigo Kiihl, 30 anos, não se difere muito de boa parte dos casos já descritos aqui na revista VCars. Desta forma, esta paixão latente por tudo que se movimenta sobre quatro rodas começou na infância e ganhou força assim que

completou 18 anos. Assim, sua incursão no intenso mundo das arrancadas foi apenas um dos passos do processo e começou pra valer mesmo no ano de 1997.
“Com apenas 15 dias de carteira de motorista, alinhei pela primeira vez na arrancada de São Paulo. Fiquei completamente louco pela categoria turbo original dianteira. Com o tempo, fui evoluindo e comecei a ficar entre os cinco primeiros. Três anos depois, já com uma Saveiro, fui campeão e ainda consegui o recorde da categoria na época, cravando 11.320 segundos”, afirma o empresário, mais conhecido no mundo das arrancadas pelo apelido de Coxinha.
Cinco anos depois, porém, Kiihl resolveu abusar da ousadia e começou o planejamento para montar um sonho antigo: um carro para disputar a categoria Força Livre Tração Traseira (FLTT). “Minha idéia era diferente de todos que estavam acostumados a preparar Fuscas para correr nessa categoria. Eu queria mesmo uma Brasília e, quando escutavam minha idéia eu era motivo de piadas e risos. Mas nem me importei, já tinha feito uma montagem do carro no computador e sabia que o resultado seria fantástico. Escolhi uma cor vermelha semelhante ao Fiat Stilo Schumacher e mandei ver mesmo”, lembra Rodrigo.
“Um grande diferencial da Brasília é o fato de ela ser um pouco mais larga entre os lados do eixo. Isso possibilita usar um eixo forjado maior, possibilitando uma melhor estabilidade com relação ao Fusca”, completa.
Para a nova estilização da Brasília ano 1975, Rodrigo contou com a ajuda de uma série de especialistas em São Paulo. O reforço na estrutura do carro foi o primeiro passo e ficou sob a batuta do preparador Afrânio Zorzetto, que tratou de adaptar um chassi com estrutura semitubular, além da robustez incontestável do sistema de suspensão traseira do tipo Ladder Bar, escolhido em virtude do motor deste carro ser posicionado em cima do eixo.
“Neste caso, a regulagem da Ladder Bar é bem mais fácil e apurada do que um sistema com 4-link, por exemplo. O acerto é perfeito para uma largada bem precisa, pois o carro não perde tração e ainda usa amortecedores Coil Over retrabalhados, retirados de uma moto Tornado”, informa.
Outro detalhe que Rodrigo também gosta de lembrar é o freio dianteiro, com disco e pinça adaptados de uma moto Honda: “apenas para frear o carro no sinal e não queimar a largada. Uso com a mão direita uma alavanca posicionada ao lado do câmbio”, completa.

INTENSO
Já a preparação minuciosa do motor ficou sob responsabilidade da oficina Pro Turbo. O “coração” escolhido é um modelo AP 2.0, retirado de um Santana.
“Como o bloco dos motores desse tipo é muito bom, o segredo de toda preparação foi usar componentes internos de qualidade e, com isso, não apostar em ‘grandes invenções’. O objetivo foi criar boas idéias para melhorar a lubrificação e a resistência de compressão. Um AP bem alimentado sempre é resultado de confiabilidade e resistência”, explica Rodrigo.
Dessa forma, Pink, o preparador do carro, inicialmente instalou um novo sistema de injeção FuelTech com oito bicos de 160 libras e usou um cabeçote oito válvulas de fluxo normal, da marca Crane. O cabeçote foi medido várias vezes na bancada de fluxo e preparado pela oficina Hot Flow.
Também foram usados pistões com pinos forjados Iapel, com 0,04 centésimos de folga – para que a peça dilate e continue a trabalhar – e bielas Scat. O coletor de escape foi personalizado exclusivamente pela German Scaps e é um modelo bipulsativo tubular com canos de duas polegadas. Segundo o proprietário, a montagem foi milimetricamente calculada para proporcionar um fluxo de alto nível para o motor.
Já o sistema de transmissão conta com câmbio de quatro velocidades dotado de engrenagens Sapinho com blocante de alumínio e tampa lateral Ancona. Na embreagem foi usado um novo modelo multidiscos da Displatô. O volante usado é da mesma marca, em aço especial, mas com menos peso que o original.

CALCULADO
A fonte extra de força vem de uma turbina Master Power modelo 802 340, da linha Race, com caixa quente e fria .70. O dimensionamento do equipamento foi personalizado pela Turbo Anhangüera, de acordo com as necessidades do projeto. “Isso, com certeza, é providencial. No caso da Brasília, que é um carro de tração traseira, optamos por um equipamento de pegada forte e baixa rotação”, informa Rodrigo, que também afirmou já ter comprovado os 622 cv de potência de seu carro com medição em dinamômetro.
Como complemento, a parte externa foi jateada até a lata pelos especialistas da loja Recupev. Em seguida, a Brasília recebeu quatro camadas de pintura com pigmento PU (poliuretano) na tonalidade vermelha semelhante à utilizada nos Fiat Stilo Schumacher.
O conjunto externo ainda conta com rodas Weld aro 15”, calçadas com pneus de medidas 28.0 x10.0 (traseiros) e 22,5 x 4,5 (dianteiros).
“A Brasília andou até agora em apenas duas provas. Consegui já um terceiro lugar em uma delas. Mas o carro já provou que está no caminho certo. Ele marcou o menor 60 pés (medida inicial da arrancada) que um Força Livre Tração Traseira já anotou em uma etapa do ECPA (Esporte Clube Piracicabano), no interior paulista”, determina. 


Texto Fernando Cappelli
Fotos Marcello Garcia

 

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